Maio 2019
Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.

Criança em oração durante evento do Discipulado de Jesus Cristo.

X. SEU ESPÍRITO DE ORAÇÃO

Nunca viu a terra uma alma que, como Maria, com tanta perfeição pusesse em prática o grande preceito do Salvador: Importa orar sempre e nunca cessar de o fazer (Lc 18,1). Ninguém melhor do que Maria nos pode servir de exemplo, diz Conrado de Saxônia, e ensinar a necessidade da oração perseverante. S. Alberto Magno escreve que a Divina Mãe foi, abaixo de Jesus, a mais perfeita na oração, de quantos têm existido e hão de existir.

1. Primeiramente, a sua oração foi contínua e perseverante. Desde o primeiro instante de sua vida, gozava Maria do uso perfeito da razão, como consideramos na festa da Natividade

Já então começou a orar, e, para melhor se entregar à oração, quis encerrar-se no retiro do templo sendo ainda menina de três anos. Aí, além das horas destinadas a esse santo exercício, erguia-se de noite e ia orar ante o altar do templo, como revelou a S. Isabel de Turíngia. Segundo Odilon de Cluni, visitava mais tarde os lugares do nascimento, da Paixão e do sepultamento de Cristo, para meditar continuamente nas dores de seu Filho.

2. A Santíssima Virgem rezava também completamente recolhida e livre de qualquer distração, ou afeto desordenado, escreve Dionísio Cartuxo

Ao amor pela oração uniu o desejo de conversar com seus pais, como revelou a S. Brígida. Sobre o texto de Isaías: “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz” (7,4), observa S. Jerônimo que, em hebreu, a palavra almah significa virgem que vive retraída. Empregando-a, pois, já predisse o profeta o amor de Maria à solidão. No parecer de Ricardo de S. Lourenço, também as palavras: “O Senhor é contigo” insinuam essa predileção. Por isso, com todo o direito, exprime-se S. Vicente Ferrer: Maria só saía de casa para visitar o templo, guardando sempre a modéstia dos gestos e do olhar. Foi com pressa que passou pelas montanhas em visita a Isabel, diz S. Ambrósio, ensinando que às virgens convém o fugir do público.

3. Afirma S. Bernardo que Maria, pelo amor à oração e ao retiro, estava sempre atenta em fugir ao trato com o mundo

Rola é por isso o nome que lhe dá o Espírito Santo. “As tuas faces têm toda a beleza, assim como as da rola” (Ct 1,9). Para Vergelo é a rola uma ave solitária e por esse motivo também é imagem da alma recolhida em Deus. Sim, a Virgem sempre viveu solitária neste mundo, como num deserto. A ela aplica-se o texto dos Cânticos: Quem é esta que sobe pelo deserto, como uma varinha de fumo? (5,6). Eis o comentário que faz Roberto às ditas palavras: Subiste pelo deserto até a Deus, porque tua alma amava a solidão. Já Filon dizia: A palavra de Deus é ouvida em lugar silencioso. O próprio Deus declara, por boca de Oseias: Eu a levarei à solidão e falarei a seu coração (Os 2,14).

Eis o motivo da exclamação do Pseudo-Jerônimo: Ó solidão, na qual Deus fala e trata familiarmente com os seus! Assim é, confessa S. Bernardo; pois a solidão e o silêncio, que se gozam no retiro, convidam a alma a deixar com o pensamento a terra, e a meditar nos bens celestiais. Virgem Santíssima, impetrai-nos o amor ao retiro e à oração, para que, desapegados do amor às criaturas, possamos aspirar só a Deus e ao paraíso, onde vos esperamos ver um dia, para louvar-vos e amar-vos sempre, juntamente com vosso Filho Jesus Cristo, por todos os séculos dos séculos. Amém.


Veja  o artigo anterior: AS VIRTUDES DE MARIA - SUA PACIÊNCIA!


Fonte: Glórias de Maria, Santo Afonso Maria de Ligório


Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.

Criança coroando Nossa Senhora das Graças no Discipulado de Jesus Cristo - Canindezinho.

IX. SUA PACIÊNCIA

1. Sendo a terra lugar de merecimentos, é com razão chamada vale de lágrimas, porque nós todos aqui fomos postos para sofrer, e por meio da paciência conquistar a vida eterna para nossas almas

Pois, não disse o Senhor: Por vossa paciência possuireis vossas almas? (Lc 21,19). Deu-nos ele a Virgem Maria para exemplo de todas as virtudes, mas principalmente para modelo de paciência.

Entre outras reflexões, diz S. Francisco de Sales que Jesus, nas bodas de Caná, só dirigiu à Santíssima Virgem uma resposta, na qual parecia fazer pouco caso de seu pedido. “Mulher, que nos importa isso, a mim e a ti? A minha hora ainda não chegou”. Fê--lo para nos dar um exemplo da paciência de sua Mãe Santíssima. Mas por que citar detalhes particulares? Toda a vida de Nossa Senhora foi um contínuo exercício de paciência. Segundo a revelação do anjo a S. Brígida, a Bem-aventurada Virgem sempre viveu entre as tribulações. Tal como entre os espinhos viça a rosa, viveu assim entre padecimentos contínuos a Mãe de Jesus. Só a compaixão com as penas do Redentor foi bastante para tornála mártir de paciência. Daí a palavra de S. Bernardino de Sena: A crucificada concebeu o Crucificado. Quanto ao que sofreu na viagem e estadia no Egito, assim como no tempo em que viveu com o Filho na oficina de Nazaré, já o consideramos acima quando tratamos de suas dores. Bastava sua assistência junto a Jesus moribundo no Calvário, para fazer conhecer quanto foi constante e sublime sua paciência. Foi então, precisamente pelos merecimentos de sua paciência, que se tornou Maria nossa Mãe e nos gerou a vida da graça, diz S. Alberto Magno.

Se, pois, desejamos ser filhos de Maria, é necessário que nos esforcemos por imitá-la na paciência. E qual dos meios o melhor para aumentar os cabedais de nossos méritos nesta vida e de glória na outra, senão o sofrer os trabalhos com paciência? “Eu hei de cercar teu caminho com espinhos”, é uma palavra de Deus a Oseias, a qual, na opinião de S. Gregório Magno, tem valor a respeito de todos os eleitos. A cerca de espinhos guarda a vinha, e assim Deus circunda de tribulações a seus servos, para que não se apeguem à terra. De modo que a paciência nos livra do pecado e do inferno, conclui S. Cipriano.

2. É também a paciência que plasma os santos, porque “a paciência efetua uma obra perfeita” (Tg 1,4)

Ela aceita as cruzes vindas diretamente de Deus, tais como: a doença, a pobreza etc., bem como as que nos vêm dos homens, como as perseguições, as injúrias e outras mais. S. João Evangelista viu todos os santos trazendo palmas, símbolo do martírio (Ap 7, 9). Isso significa que todos os adultos que se salvam devem ser mártires, ou pelo sangue ou pela paciência.

3. Eia, pois, exclama o Papa Gregório Magno, nós podemos ser mártires mesmo sem os instrumentos do martírio, guardando paciência

Ou então, como diz S. Bernardino, se sofrermos, alegre e pacientemente, as penas desta vida. Oh! como frutifica, no céu, cada pena padecida por Deus! Daí as animadoras palavras do apóstolo: Pois aquilo que de tribulação nos vem no presente, momentâneo e leve, produz em nós, de modo incomparável e maravilhoso, um peso eterno de glória (2Cor 4,17). Belas foram as palavras de S. Teresa sobre este assunto. Quem abraça a cruz não a sente, dizia a Santa. Em outro lugar: Quando alguém se resolve a padecer, a pena está acabada. Quando nos sentirmos acabrunhados pelas cruzes, recorramos a Maria. Pois de consoladora dos aflitos a chama a Igreja, e de remédio para todas as doenças, S. João Damasceno.

Ah! Senhora minha dulcíssima, vós, inocente, padecestes com tanta paciência; e eu, merecedor do inferno, me recusarei a sofrer? Minha Mãe, esta graça hoje vos peço; fazei, não que eu seja livre das cruzes, mas que as suporte com paciência. Rogo-vos, pelo amor de Jesus, que me alcanceis de Deus esta graça; de vós a espero.

Veja  o artigo anterior: AS VIRTUDES DE MARIA - SUA OBEDIÊNCIA!


Fonte: Glórias de Maria, Santo Afonso Maria de Ligório

São 10 as virtudes de Maria listadas por Santo Afonso. Continua no próximo artigo.

Alcance a verdadeira paciência, sem limites. Aprenda a lidar com seus problemas interiores! Veja dicas práticas, à luz do Evangelho, neste livro do Padre Jonas Abib! Adquira! 



Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.
Venha viver conosco esse momento de coroação de Nossa Senhora, traga toda sua família

Cartaz convite para a coroação de Nossa Senhora no DJC Canindezinho no dia 29 de maio.
Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.

Imagem de Nossa Senhora das Graças na sede do DJC Antônio Bezerra.
VIII. SUA OBEDIÊNCIA

1. A Santíssima Virgem amava a obediência

Quando da embaixada de S. Gabriel não quis tomar outro nome senão o de escrava. “Eis aqui a escrava do Senhor”. Com efeito, testemunha S. Tomás de Vilanova, essa fiel escrava do Senhor nunca o contrariou, nem por ações, nem por pensamentos. Obedeceu sempre e em tudo à divina vontade, completamente despida de toda vontade própria. Ela mesma declarou que Deus se tinha agradado de sua obediência. “Ele olhou a baixeza de sua serva.” A humildade própria de uma serva é ser sempre pronta a obedecer. Por sua obediência, reparou Maria o dano causado pela desobediência de Eva, afirma S. Irineu. “Como a desobediência de Eva causou a morte ao gênero humano, assim pela obediência foi a Virgem, para si e para a humanidade, a causa da salvação.”

2. A obediência de Maria foi muito mais perfeita que a de todos os santos

É óbvia a razão disso. Pois todos os homens, sendo inclinados ao mal por causa do pecado original, sentem dificuldades na prática do bem. Mas tal não se deu com a Santíssima Virgem. Isenta da culpa original, nada tinha que a impedisse de obedecer a Deus, escreve S. Bernardino de Sena. Como uma roda segue facilmente o impulso que lhe é dado, movia-se também a Virgem a cada impulso, com prontidão. Viveu observando e executando fielmente o divino beneplácito, continua o mesmo Santo. Bem lhe ficam as palavras dos Cânticos: A minha alma se derreteu, assim que meu amado falou (5,6). Na opinião de Ricardo, a alma da Virgem se liquefazia, semelhante a um metal derretido, estando disposta a tomar todas as formas que Deus lhe quisesse dar.

3. Maria mostra, com efeito, quanto era pronta na obediência

Para agradar a Deus, quis obedecer ao imperador romano, fazendo uma longa viagem de 30 milhas a Belém. Fê-la nos rigores do inverno, quando esperava dar à luz o seu filhinho. Sobre isso era tão falta de recursos, que se viu reduzida a ver nascer-lhe o filho numa estrebaria. Mostrou-se igualmente pronta ao receber o aviso de S. José, pondo-se imediatamente a caminho, na mesma noite, para a viagem ainda mais longa e penosa do Egito. Aqui pergunta Silveira por que razão a necessidade de fugir para o Egito foi revelada a S. José, e não à bem-aventurada Virgem, a quem a viagem devia custar ainda mais. Responde então: Foi para que ela desse modo pudesse exercer a obediência. Porém Maria demonstrou sobretudo sua heroica obediência à divina vontade, quando ofereceu o Filho à morte. Na grandeza de sua constância, dizem o Vulgato Ildefonso e S. Antonino, estaria disposta a crucificá-lo, se houvessem faltado os algozes.

4. À exclamação da mulher que o interrompia com as palavras: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos que te amamentaram”, respondeu o Salvador: Antes, bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em obra (Lc 11,27-28)

S. Beda, o Venerável, assim comenta a passagem: Maria era mais bem-aventurada por sua obediência a Deus, do que por motivo de sua dignidade como Mãe do Senhor. Razão é essa pela qual muito lhe agradam por isso as almas amantes da obediência. Apareceu ela um dia a um religioso franciscano, chamado Acúrcio. Mas eis que da cela o chamam para confessar um enfermo.

Deixou-a, portanto, o religioso, mas de volta a encontrou ainda. A Virgem o estava esperando e muito lhe louvou a obediência. Pelo contrário, repreendeu outro religioso que, ouvindo o sino chamar para o refeitório, se demorou a concluir certas devoções.

5. Também falou a Virgem a S. Brígida da segurança que há em obedecer ao diretor espiritual, e disse-lhe que a obediência, a quantos a praticam, leva-os ao paraíso

Donde, dizia S. Filipe Néri, que Deus não pede conta do que fizemos por obediência, porque tornou essa virtude uma obrigação para nós. “O que vos ouve, a mim ouve; o que vos despreza, a mim despreza” (Lc 10,16). A S. Brígida disse também a Mãe de Deus que, pelo merecimento de sua obediência, havia ela obtido do Senhor a graça de alcançar o perdão a todos os pecadores, que arrependidos a ela recorressem.

Ó amável Rainha e Mãe, rogai a Jesus que nos conceda, pelos méritos de vossa obediência, a graça de seguir fielmente as ordens de Deus e as disposições de nossos diretores espirituais. Amém.


Veja  o artigo anterior: AS VIRTUDES DE MARIA - SUA CASTIDADE



Fonte: Glórias de Maria, Santo Afonso Maria de Ligório

São 10 as virtudes de Maria listadas por Santo Afonso. Continua no próximo artigo.
Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.
21 de Maio de 2019

Missa da Bênção com Pe. Marcos Roberto, no DJC Antônio Bezerra!
















Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.
Nossa Senhora das Graças - Coroação 2009.

VII. SUA POBREZA

Nosso amoroso Redentor, para ensinar-nos a desprezar os bens do mundo, quis viver pobre na terra. “Por vosso amor Cristo se fez pobre, a fim de que vós fôsseis ricos” (2 Cor 8,9). Daí a exortação do Senhor a quantos o querem seguir: Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, e dá-o aos pobres (Mt 19,21).

Maria, sua mais perfeita discípula, também lhe quis seguir o conselho. Com a herança de seus pais, teria ela podido viver folgadamente, como prova S. Pedro Canísio. Preferiu, no entanto ser pobre, muito pouco reservando para si e o mais distribuindo em esmolas ao templo e aos pobres.

Afirmam muitos autores que a Virgem fez voto de pobreza. De fato, nas revelações de S. Brígida lemos estas palavras de Maria: Desde o começo prometi a meu Senhor nada possuir neste mundo. Não deviam certamente ter pouco valor os presentes dos Santos Magos. Fê-los, porém, a Senhora repartir com os pobres, pelas mãos de S. José, conforme atesta S. Antonino. Que os distribuiu imediatamente, prova-o a oferta que trouxe quando da apresentação no templo. Não ofertou o cordeiro, que era o presente dos ricos, imposto pelo Levítico, mas as duas rolas ou pombas, oferta dos pobres (Lc 2,24). O que possuía – disse a Virgem Santíssima a S. Brígida – dei-o aos pobres; só guardei o indispensável para vestir e comer.

1. Por amor à pobreza também não recusou desposar um pobre carpinteiro, qual foi S. José; sustentou-se por isso com o trabalho de suas mãos, fiando ou cosendo, como escreveu Boaventura Baduário

Conforme as palavras do anjo a S. Brígida, os bens deste mundo não valiam para Nossa Senhora mais do que cisco. Em suma, ela viveu sempre pobre e pobre morreu. Pois não se sabe que por sua morte deixasse outra coisa, senão duas pobres vestes a duas mulheres que a tinham assistido durante a vida, como referem Nicéforo e Metafrasto.

2. De S. Filipe Néri é a sentença que diz: Aquele que ama as riquezas nunca há de ser Santo

E quem anda atrás das coisas perdidas, acrescenta S. Teresa, também se perde. Pelo contrário, na sua opinião, a virtude da pobreza é um bem que encerra todos os outros bens. Eu digo a virtude da pobreza, porque esta, segundo S. Bernardo, não consiste somente em ser pobre, mas em amar a pobreza. Por isso Jesus Cristo exclamou: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus (Mt 5,3). Bem-aventurado porque em Deus encontra todos os bens, quem só a ele quer. Sim, encontra na pobreza o paraíso na terra, como S. Francisco de Assis o dizia: Meu Deus e meu tudo! Amemos, pois, esse único bem, em que todos os bens estão encerrados, aconselha-nos S. Agostinho. Só peçamos ao Senhor seu santo amor, a exemplo de S. Inácio: Dá-me, Senhor, tua graça e teu amor e eu serei mais do que rico. Se nos afligir a pobreza, consolo nos seja o pensamento de Conrado de Saxônia, de que pobres como nós foram também Jesus e Maria.

Ah! minha Mãe Santíssima, bem razão tínheis de dizer, que em Deus estava a vossa alegria. Pois neste mundo não ambicionastes, nem amastes a outro bem, senão a Deus. Ó Senhora minha, desapegai-me do mundo, e atraí-me para vós, a fim de que eu ame esse Bem único, que merece ser amado unicamente.


Veja  o artigo anterior: AS VIRTUDES DE MARIA - SUA CASTIDADE


Fonte: Glórias de Maria, Santo Afonso Maria de Ligório

São 10 as virtudes de Maria listadas por Santo Afonso. Continua no próximo artigo.

Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.

Imagem de Nossa Senhora das Graças com um crucifixo na sede do DJC Canindezinho.

VI. SUA CASTIDADE

Depois da queda de Adão, rebelaram-se os sentidos contra a razão, e não há para o homem mais difícil virtude a praticar do que a castidade.

Conforme o Pseudo-Agostinho, por ela luta-se todos os dias, mas raramente se ganha a vitória. Mas o Senhor nos deu em Maria um grande modelo dessa virtude. Ela, com razão, é chamada Virgem das virgens, lemos em S. Alberto; e isso porque sem conselho, nem exemplo de outros, foi a primeira a oferecer sua virgindade a Deus, dando-lhe assim as outras virgens que a imitaram. Predisse-o Davi com as palavras: Virgens que te seguem serão conduzidas até ao rei...; entram no palácio do rei (Sl 44,15 e 16). Sem conselho nem exemplo, digo eu, firmado em S. Bernardo. Ó Virgem – pergunta o Santo – quem te ensinou a agradar a Deus pela virgindade, levando na terra uma vida angélica? Ah! torna o Pseudo-Jerônimo, certamente Deus escolheu para sua Mãe esta Virgem puríssima, para que servisse a todos de exemplo de castidade. Eis a razão por que S. Ambrósio a chama de porta-bandeira da virgindade.

1. Por causa de tanta pureza, diz o Espírito Santo, é que a Virgem “é
bela como a rola” (Ct 1,9)

Essa rola é Maria, a modestíssima Virgem, diz Apônio. De açucena chamam-na também: Assim como a açucena entre os espinhos, é a minha amiga entre as filhas (Ct 2,2). Na opinião de Dionísio Cartuxo, é ela açucena entre os espinhos, porque as outras virgens, em oposição a Maria, são espinhos para si ou para os outros. Ao contrário, Maria, com a sua só presença, insinuava a todos pensamentos e afetos de pureza. Isso confirma as palavras de S. Tomás: A beleza da Santíssima Virgem despertava em quantos a viam o amor à pureza. S. Jerônimo é do parecer que S. José conservou a virgindade pela companhia de Maria. Refutando a heresia de Elvídio, que negava a virgindade da Mãe de Deus, diz o Santo doutor: Dizes que Maria não foi sempre Virgem; mas eu vou mais longe e afirmo que também José permaneceu virgem por causa de Maria.

2. Na opinião de S. Gregório Nazianzeno, a Santíssima Virgem era tão amante dessa virtude, que para conservá-la, estaria pronta a renunciar à dignidade da Mãe de Deus

É isso, com efeito, que se deduz da pergunta de Maria ao arcanjo: Como se fará isso, pois que não conheço varão? (Lc 1,34). O mesmo afirma a resposta que deu: Faça-se em mim segundo a vossa vontade. Com esses termos significa que dá o seu consentimento, por ter sido certificada pelo anjo de que se tornaria Mãe, unicamente, por obra do Espírito Santo.

3. Na frase de S. Ambrósio é um anjo quem guarda a castidade e é um demônio quem a perde

Sim, por esta virtude os homens assemelham-se aos anjos, como diz o Senhor: Eles serão como os anjos de Deus (Mt 22,30). Porém os desonestos tornaram-se odiosos a Deus, como os demônios. Uma sentença, atribuída a S. Remígio, afirma que a maior parte dos adultos se perdem por esse vício. E raro vencê-lo, repetimos com o Pseudo-Agostinho. Mas por quê? Porque não se empregam os meios para esse fim.

4. Três são esses meios, dizem com Belarmino os mestres da vida espiritual: o jejum, a fugida das ocasiões e a oração

Sob jejum entende-se a mortificação, principalmente dos olhos e da gula. Maria Santíssima, embora cheia da divina graça, foi mortificadíssima nos olhos. Trazia-os sempre baixos e nunca os fixava em pessoa alguma, como referem o Pseudo-Epifânio e S. João Damasceno. E acentuam que, desde pequenina, causava admiração a todos por sua modéstia. Por isso foi apressadamente em visita a Isabel (Lc 1,39), para ser menos vista em público. Narra Felisberto que Maria, quando criança, só tomava leite uma vez por dia; assim foi revelado a um ermitão chamado Félix. Durante toda a sua vida jejuou sempre, como atesta S. Gregório de Tours. Conrado de Saxônia acentua que jamais teria recebido a Virgem tantos e tamanhos favores, se não tivesse sido tão temperante, pois a gula e a graça não se dão bem. Em suma, foi ela mortificada em todas as coisas, como insinua o texto dos Cânticos: As minhas mãos destilam mirra (Ct 5,5).

A fugida das ocasiões é o segundo meio para vencer o vício. Assim falam os Provérbios: O que evita os laços estará em segurança (11,5). De onde então a palavra de S. Felipe Néri: Na guerra aos sentidos só vencem os poltrões, isto é, aqueles que fogem da ocasião do pecado. Maria fugia, tanto quanto possível, à vista dos homens, como indica a pressa com que foi visitar a sua prima. Aqui adverte um autor que ela deixou Isabel, antes de esta dar à luz, como se conclui das palavras de S. Lucas: E ficou Maria com Isabel perto de três meses; depois dos quais voltou para sua casa. Entretanto completou-se o tempo de Isabel dar à luz, e deu à luz um filho (Lc 1,56 e 57). E por que não esperou? A fim de evitar as conversas e as visitas que se sucederiam então em casa de Isabel.

O terceiro meio é a oração: “E como eu sabia que de outra maneira não podia ter continência, se Deus não ma desse... encaminhei-me ao Senhor e fiz-lhe a minha súplica” (Sb 8,21). Sem trabalho e contínua oração a nenhuma virtude chegou a Santíssima Virgem, como consta de uma sua revelação a S. Isabel. Maria é pura e amante da oração, diz S. João Damasceno; por isso não pode suportar os impuros. Mas quem a ela recorre, basta pronunciar-lhe o nome para ser livre desse vício. Dizia o venerável João d’Ávila que muitas pessoas venceram nas tentações contra a castidade, só por meio da invocação de Maria
Imaculada.


Veja  o artigo anterior: AS VIRTUDES DE MARIA - A ESPERANÇA

Fonte: Glórias de Maria, Santo Afonso Maria de Ligório

São 10 as virtudes de Maria listadas por Santo Afonso. Continua no próximo artigo.
Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.
Celebre o mês mariano e o aniversário do DJC conosco!

Nosso Marana Tha deste mês é Especial por dois motivos

1. Celebramos Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa!

2. Celebramos 19 anos de fundação do Discipulado de Jesus Cristo!


Você é nosso convidado especial para esse encontro com Jesus por Maria e para celebrar o aniversário do DJC conosco.


Será um grande momento de gratidão ao Bom Deus por tudo o que tem realizado em nossas vidas através desta obra colocada no coração do nosso fundador, Pe. Marcos Oliveira.

Já rendemos graças ao Senhor com essa música da Banda Vida Reluz: 


Celebramos


Celebramos! Celebramos!
Celebramos contigo, contigo Senhor! (bis)


Até aqui Ele nos ajudou
E a nossa vida Ele sustentou
Continuaremos a anunciar
E seu nome proclamar (bis)

Celebramos! Celebramos!
Celebramos contigo, contigo Senhor! (bis)

Se o mal quiser nos atingir
A sua destra nos livrará
És Vida Nova, Paz e Salvação
Motivo da nossa canção (bis)

Esperamos por você, neste sábado, 25 de Maio, às 19h, em nossa sede, no Morada Leste!

Graça e Paz!
Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.

Altar da capela da Comunidade de Aliança com imagem de Maria e Bíblia Sagrada.

V. SUA ESPERANÇA

Da fé nasce a esperança. Pois Deus nos ilumina com a fé, fazendo-nos conhecer sua bondade e suas promessas, para que nos elevemos pela esperança ao desejo de possuí-lo. Possuindo Maria a virtude da fé por excelência, teve também, por excelência, a virtude da esperança. Bem podia dizer com Davi: Para mim a felicidade é apegar-me a Deus, pôr no Senhor Deus a minha esperança (Sl 22,28). Maria foi a fiel esposa do Espírito Santo, aplaudida nos Cânticos: Quem é esta que sobe do deserto inundando delícias, e firmada sobre o seu amado? (8,5). Sobre o texto diz o Cardeal Algrino: “Maria foi sempre e totalmente desapegada dos afetos do mundo, que lhe passava por um deserto. Não confiava nem nas criaturas, nem nos próprios merecimentos, mas só contava com a graça divina, na qual estava toda a sua confiança. E assim se adiantou cada vez mais no amor de seu Deus”.

1. Mostrou, de fato, a Santíssima Virgem quanto lhe era grande essa confiança em Deus, primeiramente ao ver a perplexidade de S. José, seu esposo, que, ignorando a misteriosa maternidade de sua esposa, pensava em deixá-la

Parecia, então, como já consideramos, ser necessário que lhe revelasse o oculto mistério. Entretanto ela não quis manifestar por si mesma a graça recebida, diz Cornélio a Lápide. Preferiu abandonar-se à Providência divina, na certeza de que o próprio Deus viria defender-lhe a inocência e a reputação.

Provou ainda sua confiança em Deus quando, próxima ao parto, se viu em Belém, expulsa até da hospedaria dos pobres, e reduzida a dar à luz numa estrebaria. “E o reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2,7). Nem a menor queixa lhe escapou dos lábios. Abandonou-se, pelo contrário, completamente nas mãos de Deus e confiou que então a assistiria nesse transe.

Igual confiança mostrou também na Providência quando S. José a avisou de que era necessário fugir para o Egito. Ainda na mesma noite, partiu para a longa e penosa viagem a um país desconhecido, sem provisões, sem dinheiro e sem outro acompanhamento senão o do Menino Jesus e de seu pobre esposo. “E levantando-se, José tomou consigo, ainda noite, o Menino e sua Mãe e retirou-se para o Egito” (Mt 2,14).

Melhor ainda demonstrou, porém, sua confiança, quando pediu ao Filho o milagre do vinho em favor dos esposos de Caná. Disse-lhe apenas: Eles não têm vinho. Ao que respondeu Jesus: Que nos importa isso, a mim e a ti? Minha hora ainda não chegou (Jo 2,4). Apesar da aparente repulsa, confiada na divina bondade, ordenou a Virgem aos servos que fizessem resolutamente o que lhes ordenasse o Filho. Pois era garantida a graça rogada. Com efeito, Cristo Senhor mandou encher com água os vasos e depois a mudou em vinho.

2. Aprendamos, portanto, de Maria, como ter esperança em Deus, principalmente no grande assunto da salvação eterna

Para resolvê-lo, é indispensável a nossa cooperação; contudo só de Deus devemos esperar a graça para consegui-lo. Desconfiando de nossas próprias forças, devemos dizer com o apóstolo: Tudo posso naquele que me fortifica (Fl 4,13).

Trecho extraído do livro Glórias de Maria de Santo Afonso Maria de Ligório.



São 10 as virtudes de Maria destacadas por Santo Afonso. Continua no próximo artigo.

Veja o artigo anterior desta série: As Virtudes de Maria - Sua Fé!

Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.

Fé e Adoração: virtudes do cristão
Adoração - Kairós 2018


IV. SUA FÉ

A bem-aventurada Virgem, assim como é Mãe do amor e da esperança, também é Mãe da fé. “Eu sou a Mãe do belo amor, do temor e do conhecimento e da santa esperança” (Eclo 24,24). Acertadamente tal se chama, diz S. Ireneu, porque o dano que Eva com sua incredulidade causou, Maria o reparou com sua fé. Palavra essa que Tertuliano confirma, dizendo: Eva deu crédito à serpente, em oposição à palavra de Deus, e com isso trouxe a morte; nossa Rainha, ao invés, crendo na palavra do anjo, segundo a qual devia ser Mãe do Senhor e permanecer virgem, gerou ao mundo a salvação. De acordo está com isso a seguinte sentença, atribuída a S. Agostinho: Dando Maria seu consentimento à Encarnação do Verbo, abriu aos homens o paraíso por sua fé. Identicamente exprime-se também Ricardo de S. Vítor, com referência à palavra de S. Paulo: O marido infiel é santificado pela mulher fiel (1Cor 7,7). É Maria, diz Ricardo, essa mulher fiel, porque com sua fé salvou Adão e a toda descendência dele. Por causa desta fé, proclamou-a Isabel bem-aventurada: “E bem-aventurada tu, que creste, porque se cumprirão as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1,45). Porque abriu seu coração à fé em Cristo, é Maria mais bem-aventurada do que por haver trazido no seio o corpo de Jesus Cristo.


1. Suárez acentua que Maria tem mais fé do que todos os homens e anjos

Via o Filho na manjedoura de Belém e cria-o Criador do mundo. Via-o fugir de Herodes, sem entretanto deixar de crer que era ele o verdadeiro Rei dos reis. Pobre e necessitado de alimento o viu, mas reconheceu seu domínio sobre o universo. Viu-o reclinado no feno e confessou-o onipotente. Observou que ele não falava e venerou-lhe a infinita sabedoria. Ouviu-o chorar e o bendisse como as delícias do paraíso. Viu finalmente como morria vilipendiado na cruz, e, embora outros vacilassem, conservou-se firme, crendo sempre que ele era Deus. “Junto à cruz estava a Mãe de Jesus” (Jo 19,25). Aqui observa S. Antonino: Maria ficou firme na sua jamais abalada fé na divindade de Cristo. Em memória disso, explica o Santo, é que no Ofício das Trevas se conserva uma única vela acesa. Com muito acerto, S. Leão refere a Maria a seguinte passagem dos Provérbios: A sua candeia não se apagará de noite (31,18). Vem a propósito agora o texto de Isaías: Eu calquei o lagar sozinho, e das gentes não se acha homem algum comigo (63,3). Comentando-o, observa S. Tomás: As palavras “homem algum” devem ser acentuadas por causa da Virgem, cuja fé nunca vacilou. Assim Maria – conclui S. Alberto Magno – exercitou a fé por excelência; enquanto até os discípulos vacilaram em dúvidas, ela afugentou toda e qualquer dúvida. “Virgem da luz para todos os fiéis” é título que lhe dá S. Metódio, justamente por causa dessa sua inabalável e grande fé. S. Cirilo de Alexandria saúda-a como Rainha da fé ortodoxa. A própria Santa Igreja atribui aos merecimentos de sua fé a extirpação de todas as heresias. “Alegra-te, ó Virgem Maria, porque sozinha extirpaste todas as heresias.” Dizem os Cânticos: Feriste o meu coração, minha irmã, esposa minha, com um dos teus olhares (4,9). Na explicação de S. Tomás de Vilanova os olhares de Maria foram a sua fé, pela qual se tornou tão agradável a Deus.


2. Aqui nos exorta S. Ildefonso a imitarmos Maria na fé

Mas imitá-la como? A fé ao mesmo tempo é dom e virtude. E dom de Deus, enquanto é uma luz na alma. E virtude, enquanto ao exercício que dela faz a alma. Assim a fé nos deve servir de norma, não só para crer, senão também para agir. Por isso, diz S. Gregório: Quem pôs a vida de acordo com a fé, esse crê de verdade. E escreve S. Agostinho: Tu me dizes: eu creio; procede então segundo essa palavra e de fato estás crendo. A prova de uma fé viva é viver conforme o que se crê. “O meu justo vive da fé” (Hb 10,38). Assim foi a vida da Bem-aventurada Virgem, bem diferente da de muitos que vivem de modo oposto ao que creem. Destes é morta a fé, como diz S. Tiago. “Porque assim como sem o espírito o corpo está morto, morta é a fé, sem as obras” (2,26). Diógenes andava procurando um homem, na terra. Assim também parece que Deus anda procurando um cristão, no meio de tantos fiéis. Com efeito, poucos são cristãos pelas obras. A maior parte dos homens só o é de nome. Dever-se-iam repetir-lhes as palavras de Alexandre a um seu homônimo e covarde soldado: Muda ou de nome ou de vida! Ou antes (segundo o Padre Mestre Ávila) se deveriam encerrar esses infelizes como loucos numa prisão. Pois eles creem que há uma eternidade feliz preparada para os bons, e uma infeliz para os maus, e entretanto vão vivendo como se não cressem em tal doutrina.


Exorta-nos S. Agostinho a vermos as coisas com olhos cristãos, isto é, à luz da fé. S. Teresa dizia que todos os pecados nascem da falta de fé. Peçamos, pois, à Santíssima Virgem que, pelos merecimentos de sua fé, nos alcance uma fé viva. Senhora, aumentai a nossa fé!


Trecho extraído do livro Glórias de Maria de Santo Afonso Maria de Ligório.




São 10 as virtudes de Maria destacadas por Santo Afonso. Continua no próximo artigo.



Veja o artigo anterior desta série: As Virtudes de Maria - A caridade para com o próximo!

Movimento Católico de Evangelização para reavivar e desenvolver a vida cristã-batismal na perspectiva do seguimento de Jesus Cristo.

Virtudes teologais de Maria, Amor ao próximo

III. SUA CARIDADE PARA COM O PRÓXIMO

O amor para com Deus e para com o próximo nos é imposto pelo mesmo preceito: “E nós temos de Deus este mandamento que o que ama a Deus ame também o seu irmão” (1Jo 4,21). S. Tomás dá-nos a razão: Quem ama a Deus ama todas as coisas amadas por ele. Disse um dia S. Catarina de Sena: Meu Deus, quereis que eu ame ao próximo e só a vós eu posso amar. Ao que lhe respondeu o Senhor: Quem me ama também ama tudo aquilo que é amado por mim. Ora, como nunca houve, nem haverá quem ame a Deus mais do que Maria, tão pouco nunca houve, nem haverá, quem mais do que ela ame ao próximo.

1. Lemos nos Cânticos: O rei Salomão fez um trono portátil de madeira do Líbano...; por dentro ornou-o do que há de mais precioso, um mimo das filhas de Jerusalém (3, 9 e 10)

Sobre o texto observa Cornélio a Lápide que o trono portátil é o seio de Maria, no qual habitou o Filho de Deus, enchendo de caridade sua divina Mãe, a fim de que ela valesse, com isso, a todos que a implorassem. Passou Maria uma vida tão cheia de caridade que socorria aos necessitados, ainda quando não lhe pediam solícito auxílio. Assim o fez, por exemplo, nas bodas de Caná. Com as palavras “Eles não têm vinho”, rogou ao Filho livrasse milagrosamente os esposos do inevitável vexame. Quão pressurosa era, quando se tratava de socorrer ao próximo! Quando, movida pelo dever de caridade, foi assistir Isabel, diz o Evangelho que então “teve pressa em passar pelas montanhas”. Mais brilhante prova dessa grande caridade não nos pôde dar, do que oferecendo seu Filho à morte pela nossa salvação. Tanto amou o mundo, que, para salvá-lo, entregou à morte Jesus, o seu Filho Unigênito, diz um texto atribuído a S. Boaventura. De onde assim lhe fala S. Anselmo: Ó bendita entre as mulheres, tu excedes aos anjos em pureza, e aos santos em compaixão.

2. Nem diminuiu esse amor de Maria para conosco, agora que nos céus se encontra; tornou-se, pelo contrário, muito maior, escreve Conrado de Saxônia, porque agora conhece mais claramente a miséria humana

Também o anjo declarou a S. Brígida que não há quem recorra a Maria sem receber graças de sua caridade. Pobres de nós, se em nosso favor faltasse a intercessão de Maria! Sem os rogos de minha Mãe, disse Jesus a S. Brígida, não haveria esperança de perdão para os pecadores. Bem-aventurado aquele, diz a Mãe de Deus, que ouve a minha doutrina e observa a minha caridade, para desse modo aprender de mim. “Bemaventurado o homem que me ouve e que vela todos os dias à entrada de minha casa, e que está feito espia às ombreiras de minha porta” (Pr 8,34).

Para captar a estima de Maria, melhor meio não há, diz S. Gregório Nazianzeno, do que usar de caridade para com o próximo. Exorta-nos o Senhor: Sede misericordiosos, assim como também vosso Pai é misericordioso (Lc 6,36). Assim parece que Maria diz também a seus filhos: Sede misericordiosos, como também vossa Mãe é misericordiosa. E é certo que Deus e Maria usarão conosco da mesma caridade que usarmos com o nosso próximo. “Dai aos pobres, e darse-vos-á... Porque com aquela mesma medida com que tiverdes medido, se vos há de medir a vós” (Lc 6,38). Insiste, pois, S. Metódio: Dai aos pobres e recebereis o paraíso em troca. Escreveu igualmente o apóstolo, que a caridade para com o próximo nos torna felizes nesta e na outra vida. “A piedade, porém, a tudo é útil, abrangendo a promessa da vida presente e da futura” (1Tm 4,8).

Lemos no livro dos Provérbios: O que se compadece do pobre dá o seu dinheiro a juros ao Senhor (19,17). Explicando essa passagem, diz S. João Crisóstomo: Quem ajuda ao pobre tem a Deus por devedor.

Ó Mãe de misericórdia, sois cheia de caridade para com todos: não vos esqueçais das minhas misérias. Vós bem as vedes. Encomendai-me àquele Deus que nada vos recusa. Obtende-me a graça de poder imitar-vos na santa caridade para com Deus e para com o próximo. Amém.


Trecho extraído do livro Glórias de Maria de Santo Afonso Maria de Ligório.



São 10 as virtudes de Maria destacadas por Santo Afonso. Continua no próximo artigo.

Veja o artigo anterior desta série: As virtudes de Maria - A caridade para com Deus