Recados

7 - A alegria da conversão

 


 

Tempo é ouro. Por isso Deus não perde tempo e deseja nos salvar aqui e agora o mais rápido possível, para que tenhamos vida e sejamos plenamente realizados no seu amor. Quando acolhemos a Graça de Deus, Ele entra na nossa história pessoal e nós entramos no Tempo da Salvação. Por isso Ele insiste: “Eis o tempo favorável. Eis o tempo da Salvação!” (2Cor 6,2)

O tempo de Deus não é ontem, porque Ele não fica olhando o leite derramado e preso no passado. Quem vive olhando para trás vira estátua de sal. O tempo de Deus não é amanhã, porque o amanhã nunca chega. O tempo de Deus se chama HOJE, porque somente hoje, aqui e agora, Ele pode entrar na nossa vida, apagar todos os pecados e nos fazer viver uma vida nova por toda eternidade.

Mas Deus tem um limite. A liberdade dele termina aonde começa a nossa. Deus é educado. Ele não entra aonde não recebe licença. Ele é o primeiro a respeitar o grande dom que nos deu: a nossa liberdade. Deus é Amor, e só existe amor na liberdade. Por isso, o nosso relacionamento com Ele só é possível no horizonte da liberdade e, se não quisermos, Ele não pode nos salvar, porque em coração de pedra, nem Deus pode dá jeito!

A urgência que Deus tem para nos salvar é um dos temas centrais da obra de Lucas (Evangelho e Atos dos Apóstolos). A história de Zaqueu é um caso exemplar (Lc 19,1-10).

Zaqueu era um homem rico, poderoso e, por incrível que pareça, infeliz. Era “muito baixo”: vivia para o dinheiro e por isso roubava e explorava.

Um certo dia, Zaqueu subiu numa figueira para ver Jesus passar, pois, como sabemos, “era muito baixo”. Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima, e disse: “Desça DEPRESSA, Zaqueu, porque HOJE preciso ficar em sua casa”. Esta boa notícia ecoou no coração do pobre homem de Jericó. Acolheu a palavra de Jesus e nele acreditou: “Desceu RAPIDAMENTE, e RECEBEU Jesus com alegria”. Que atitude de fé e humildade! Que prontidão! Que alegria! disse Jesus consigo mesmo. Então, estabeleceu o Kairós na vida de Zaqueu; “Hoje a Salvação entrou nesta casa!”

Muitos criticaram o Senhor Jesus, dizendo: “Ele foi se hospedar na casa de um pecador!” Ora, mas foi precisamente para isto a que veio: reconciliar os homens com o Pai. Jesus não se alegra com a morte do pecador, mas que se converta e viva vida nova, aqui e agora. (Jo 3,16-18)

Ante a urgência de Deus nos salvar, é preciso a emergência da nossa conversão, livre e consciente. Da nossa resposta dependerá a nossa salvação ou a nossa condenação. O que fica para trás é de muito menos valor que “as coisas novas” concedidas por Deus.

Conversão é metanoia, ou seja, mudança de trajetória e transformação da vida. Conversão é deixar o pecado que nos faz errar o alvo, é “lançar-se em direção à meta em vista do prêmio do alto que Deus nos chama a receber em Jesus Cristo”. Trata-se de iniciar uma vida nova que tende a crescer e a se desenvolver mais e mais na graça do Espírito Santo.

Também nós, que já fomos batizados e participamos da Igreja, precisamos nos converter diariamente. A conversão é algo permanente porque dia após dia somos tentados a virar as costas para o Deus da Vida e adorar os ídolos. A cada dia temos a oportunidade de refazer o nosso compromisso com Deus. Arrependermo-nos dos erros cometidos e renovar o SIM. Desta forma vamos cooperando com a renovação da nossa vida cristã-batismal de modo permanente (Cl 3,10).

Salvação é, pois, a graça da vida nova e abundante em Deus. Para que ela ocorra é preciso que nos convertamos. Porém, esta decisão de mudar de vida nunca será resultado só do nosso esforço. É preciso que queiramos, mas, na verdade, a conversão é fruto do Espírito Santo, pois é “o próprio Deus quem opera em nós o querer e o fazer!” É fundamental para a nossa salvação que desejemos, aspiremos, supliquemos com insistência e acolhamos o Espírito Santo. Ele é a nossa única esperança. Sem a Graça de Deus não podemos fazer nada, nem mesmo nos converter. (Jo 5,5)

 

MOPD Lucas 9,1-10