Recados

6 - Como se confessar


 

O Sacramento da Confissão instituído na Igreja por Jesus Ressuscitado é a celebração do perdão de Deus de forma eficaz, “ex opere operato”, “pela obra operada”, “em virtude da obra salvífica de Cristo, realizada uma vez por todas”. “O sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas pelo poder de Deus”.

No Sacramento da Confissão o pecador arrependido recebe o perdão de Deus “com toda certeza” e fica do jeito que foi batizado, sem nenhum pecado “com toda certeza”. Por isso esse sacramento não deve ser negligenciado por nenhum cristão guiado pelo Espírito Santo visto que ele foi instituído por Jesus Ressuscitado para que toda Graça da Salvação que ele nos mereceu na Cruz alcançasse a nossa vida “com toda certeza”.

Quem se confessa é realmente guiado pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo. É humilde contra todo orgulho de querer se salvar sozinho. Sabe que somos tão necessitados da misericórdia de Deus que acorre ao Sacramento do Penitência em busca do perdão que Jesus garantiu conceder por esta via, “com toda certeza”. O sacramento da Confissão é próprio dos humildes, prudentes e corajosos, não dos orgulhosos, imprudentes e covardes.

 

A penitência impele o pecador a suportar tudo de boa vontade. Em seu coração está o arrependimento; em sua boca, a acusação; em suas obras, plena humildade e proveitosa satisfação.” (São João Crisóstomo)

 

 

No Salmo 51 encontramos os passos fundamentais para fazer uma boa confissão:

 

 

1º Passo

RECONHECIMENTO

DA CONCUPISCÊNCIA

 

Sl 51,7 Eis que eu nasci na culpa, e minha mãe já me concebeu pecador.

 

Toda pessoa humana possui a natureza ferida pelo pecado e por isso, é inclinada para o mal. “Muitas vezes deixo de fazer o bem que quero e acabo fazendo o mal que não quero” (Rm 7,14-19).

 

Devemos ser humildes, desejar e pedir a Deus a sobriedade e a cura de todas as forças pecaminosas que devem ser arrancadas do mais profundo do nosso ser, os vícios, instintos egoístas e paixões carnais desordenadas.

 

 

2º Passo

CONFIANÇA NO AMOR DE DEUS

 

Sl 51,1 Tende piedade de mim, ó Deus, por teu amor! Por tua grande compaixão, apaga a minha culpa!

 

O reconhecimento do amor de Deus impulsiona o pecador a viver uma vida nova.

 

Jesus é a plena manifestação do amor de Deus, pois ele derramou o seu Sangue na cruz para a remissão dos nossos pecados.

 

1Jo 2,1 Meus filhinhos, eu lhes escrevo tais coisas para que vocês não pequem. Entretanto, se alguém pecou, temos um advogado junto do Pai: Jesus Cristo, o justo. 2 Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados; e não só os nossos, mas também os pecados do mundo inteiro.

 

 

3º Passo

CONTRIÇÃO DO CORAÇÃO

 

Sl 51,19 Meu sacrifício é um espírito contrito. Um coração contrito e esmagado tu não o desprezas.

 

A contrição consiste “numa dor da alma e detestação do pecado cometido, com a resolução de não mais pecar no futuro.”

 

Contrição é o arrependimento que espedaça o coração de pedra e gera vida nova. Não é remorso que gera desespero mas não transforma em nada o nosso coração, objetivos, vícios e atitudes pecaminosas.

 

Embora o mundo possa influenciar e Satanás faça tentações, o homem deve assumir e chorar a culpa do seu pecado e não ficar sempre se lastimando como se fosse uma eterna vítima.

 

Contrição sim, covardia não!

 

Escrever num papel os pecados veniais e mortais ajuda a fazer o exame de consciência e a contrição interior.

 

O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus. Envolve também um consentimento suficientemente deliberado para ser uma escolha pessoal. A ignorância afetada e o endurecimento do coração não diminuem, antes aumentam, o caráter voluntário do pecado. (CIC 1859)

 

Ato de Contrição: Meu Deus, eu me arrependo, de todo coração de todos meus pecados e os detesto, porque pecando não só mereci as penas que justamente estabelecestes, mas principalmente porque Vos ofendi a Vós, sumo bem e digno de ser amado sobre todas as coisas. Por isso, proponho firmemente, com a ajuda da vossa graça, não mais pecar e fugir das ocasiões próximas de pecar. Amém

 

 

4º Passo

CONFISSÃO DOS PECADOS

 

Sl 51,5 Porque eu reconheço a minha culpa, e o meu pecado está sempre na minha frente; pequei contra ti, somente contra ti, praticando o que é mau aos teus olhos. Tu és justo, portanto, ao falar, e, no julgamento, serás o inocente.

 

Além de reconhecer a culpa dos pecados, o homem se humilha e confessa cada fraqueza diante de Deus, seja pecado simples ou pecado mortal.

 

A confissão favorece que o coração se abra novamente para a comunhão com Deus, visto que estava fechado no seu próprio egoísmo e orgulho.

 

A confissão facilita a conversão, pois é um modo de jogar para fora a doença que estava contaminando por dentro.

 

Diante do sacerdote, o penitente confessa os seus pecados, sabendo que ele representa a misericórdia de Deus e da Igreja e que recebeu do próprio Jesus a faculdade de absolvê-los em seu nome.

 

Para tomar conhecimento dos pecados e perdoá-los, o padre precisa que o penitente confesse-os. Como ensinava Santo Agostinho: “Quem confessa os próprios pecados está agindo em harmonia com Deus. Deus acusa teus pecados; se tu também os acusas, tu te associas a Deus. O homem e o pecador são por assim dizer duas realidades: quando ouves falar do homem, foi Deus quem o fez; quando ouves falar do pecador, é o próprio homem quem o fez. Destróis o que fizestes para que Deus salve o que ele fez... Quando começas a detestar o que fizestes, é então que tuas boas obras começam, porque acusas tuas más obras. A confissão das más obras é o começo das boas obras. Contribuis para a verdade e consegues chegar à luz.”

 

Após a Confissão o sacerdote ministra a ABSOLVIÇÃO dos pecados:

 

Deus, Pai de misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo Ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo.

 

Porém, o sacerdote pode negar a absolvição caso o fiel não esteja realmente arrependido do pecado confessado, conforme Jesus disse:

 

Jo 20,23 Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês NÃO PERDOAREM, NÃO SERÃO PERDOADOS.

 

 

5º Passo

SÚPLICA DA VIDA NOVA

 

Sl 51,12 Ó Deus, cria em mim um coração puro, e renova no meu peito um espírito firme. 13 Não me rejeites para longe da tua face, não retires de mim teu santo espírito. 14 Devolve-me o júbilo da tua salvação, e que um espírito generoso me sustente.

 

O reviver das cinzas do pecado, a vitória do espírito sobre a carne, a derrota de Satanás, a purificação do mundo, a alegria da salvação... tudo isso é a súplica do pecador arrependido. E Deus, que escuta os clamores do nosso coração é todo-poderoso e cheio de misericórdia para nos recriar para uma vida nova em Cristo Jesus.

 

 

6º Passo

REPARAÇÃO

 

Sl 51,15 Vou ensinar teus caminhos aos culpados, e os pecadores voltarão para ti.

 

“O salário do pecado é a morte!”

 

Os nossos pecados sempre deixam consequências negativas na vida do próprio pecador e dos seus semelhantes, e foi justamente isso o que ofendeu a Deus. Por isso, uma vez arrependido e perdoado por Deus, o homem deve procurar reparar os danos causados pelos seus pecados, fazendo justamente o contrário: transformando o vício em virtude, a maldição em bênção, o ódio em amor, a mentira em verdade... Deste modo, contribuirá na construção do Reino de Deus, o paraíso celeste que ele havia perdido pelo pecado, mas que reconquistou graças a Jesus Cristo.

 

É uma ofensa grave atribuir a Deus o sofrimento da humanidade, porque Ele “não fez a morte nem tem prazer em destruir os viventes” (Sb 1,13). “A morte é o salário do pecado” (Rm 6,23). A verdade é que sempre sofremos as consequências negativas, seja dos nossos próprios pecados, seja dos pecados de outras pessoas que acabaram afetando a nossa vida, por exemplo, alguém que nos levantou um falso testemunho.

 

Por detrás de cada pecado sempre existe a fraqueza humana, a influência do mundo e a tentação de Satanás. Quando compactuamos com o mal a nossa alma fica culpada diante de Deus. Temos culpa no erro cometido e deveríamos pagar o preço dos danos acarretados...

 

Mas Jesus Cristo veio justamente para nos redimir dos pecados e reconciliar-nos com o Pai Celeste. Ele pagou um alto preço pela nossa salvação, o preço da sua própria vida: “Por meio do sangue de Cristo é que fomos libertos e nele nossas faltas foram perdoadas, conforme a riqueza da sua graça” (Ef 1,7).

 

Não esqueça: Importante fazer o exame de consciência diariamente e pedir o perdão de Deus. Necessário sempre se confessar, ao menos uma vez por ano e toda vez que cometer pecado mortal!

 

MODP Salmo 51