Recados

6 - A bênção da cura social

 

O PLANO SOCIAL DE DEUS:

 

Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos s répteis que rastejam sobre a terra”. E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; E os criou homem e mulher. E Deus os abençoou e lhes disse: “sejam fecundos, multipliquem-se, encham e submetam a terra... E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom” (Gn 1,26-28).

 

AO CRIAR O SER HUMANO...

 

- Deus o criou “à sua imagem e semelhança”, ou seja, livre, consciente e capaz de dialogar com ele. Nenhuma outra criatura possui o mesmo valor de uma pessoa, seja ela criança, jovem ou adulto. Tudo que anula ou fere a dignidade humana é imoral e vai contra a vontade de Deus. A pessoa humana “é e deve ser o princípio, sujeito e fim de todas as instituições sociais” (GS 25).

 

- Deus dotou a única natureza humana com dois sexos complementares: mulher e homem. Aos olhos de Deus, ninguém é mais que ninguém. Todos são iguais na dignidade, embora existam diferentes personalidades. A vocação para conviver com o outro faz parte da natureza humana. O ser humano é essencialmente um ser social: reconhece-se como indivíduo/sujeito na intersubjetividade, realiza-se com o outro, precisa do outro, é importante para o outro.

 

- Deus derramou a sua bênção a fim de que, homem e mulher, unidos no amor, realizem-se como pessoas e sejam fecundos e procriadores. A coluna do casal humano, abençoado por Deus e alicerçado no amor, é a base da primeira comunidade humana: a família. Por sua vez, esta família, a qual é chamada a ser santuário da vida, é o alicerce da grande sociedade humana espalhada por todo o planeta.

 

- Deus também concedeu autoridade ao ser humano para dominar, cultivar, administrar e preservar a obra da criação, no rumo da plena realização do seu projeto de salvação. Pela interferência pessoal e coletiva do homem na natureza, a história entrou em desenvolvimento, o homem cresceu culturalmente e estruturas sociais foram construídas.

 

Tudo o que Deus criou é muito bom... Porém, desobedecendo a Deus, o homem pecou e permitiu que o mal entrasse na história da humanidade. Desse modo, acabou criando “estruturas de morte” que permanecem gerando a dor e o sofrimento nos diversos níveis da existência humana. O medo de Deus, a desestruturação do casal Adão e Eva, a intriga de Caim, o assassinato de Abel, as dores do parto, a mentira, a vingança, a escravidão no Egito são apenas alguns exemplos bíblicos que nos mostram que o homem pecador acabou destruindo o “Paraíso do Éden”, transformando-o num mundo de doenças, “imundícies” e “castigos”.

Ainda hoje a sociedade e as relações humanas são marcadas pelas consequências negativas do pecado, pois os pecados pessoais acabam gerando “estruturas de pecado” ou “pecado social”. Hoje, com exceções, a dignidade humana é desrespeitada, as relações entre homens e mulheres são desvirtuadas, as famílias padecem por falta de diálogo e amor, há um individualismo exacerbado, as amizades são interesseiras, as instituições sociais, políticas e econômicas não visam a realização humana...

Na sua missão salvífica, Jesus também cura a dimensão social da nossa existência, em todos os seus níveis e implicações... De modo que a salvação não pode ser almejada numa perspectiva intimista, individualista e separada do conjunto de relações fraternas, amigas, conjugais, familiares, sociais, culturais, políticas e econômicas que constituem o todo da existência de uma pessoa. A pessoa humana é única, ela é parte constitutiva do conjunto da humanidade. A nossa vida é simultaneamente pessoal e comunitária.

Também, não devemos permanecer acomodados à espera de uma salvação social “caída do céu”. No processo de libertação do pecado e de todas as suas consequências, temos a missão de fazer a nossa parte, convertendo o nosso coração e lutando em favor da vida, contra todas as estruturas de morte.

O primeiro cenário social foi o “Paraíso do Éden”, quando o homem vivia em harmonia com Deus, com o próximo e com a natureza. Hoje, temos o dever de, com a bênção de Deus, ajudar na “destruição” do mundo, com todas as suas imundícies, edificando o “Paraíso” do Reino de Deus, quando viveremos na mais perfeita paz, felicidade e fraternidade.

Este Reino de Deus começa no nosso coração e vai tomando forma e corpo na história, com a nossa cooperação, até se prolongar por toda eternidade após a segunda vinda gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele vai colher todo “material” produzido pelo nosso amor e sacrifício, toda nossa luta contra o pecado e suas consequências, toda obra de caridade em benefício dos pequeninos (Mt 25,31-46) e então haverão novos céus e nova terra, como profetiza o Apocalipse.

Pela graça de Deus e com nossos esforços tudo pode ir sendo transformado no decorrer da caminhada. Faça a sua parte e peça a Deus a cura dos seus relacionamentos. Sempre peça também a libertação de toda maldição hereditária, que acabam interferindo no hoje da sua história pessoal, familiar e comunitária.

 

MODP Atos dos Apóstolos 4,32-37