Recados

4 - Psicologia da confissão


 

Sobre a importância de confessar os pecados para se purificar interiormente e ter a paz, o Salmista já rezava:

Sl 32,1 Feliz aquele cuja ofensa é absolvida. 3 Enquanto me calei, meus ossos se consumiam, o dia todo rugindo, 4 porque dia e noite a tua mão pesava sobre mim. O meu coração tornou-se como feixe de palha em pleno calor de verão. Confessei a ti o meu pecado, não te encobri o meu delito. Eu disse: “Vou a Javé confessar a minha culpa!” E tu absolveste o meu delito, perdoaste o meu pecado.

 

Na esteira da espiritualidade dos Profetas e Salmistas, Jesus instituiu o Sacramento da Penitência para o pecador arrependido ser perdoado de todos os seus pecados, tanto os veniais como os graves. De modo que, ao sair do confessionário e tendo cumprido a penitência, o pecador volta a ser do jeito que foi batizado, sem nenhum pecado, conforme Jesus disse aos Apóstolos:

 

Jo 20,21 “A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” 22 Tendo falado isso, soprou sobre eles, dizendo: “Recebam o Espírito Santo. 23 Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados!”

 

No sacramento da confissão a psicologia de Jesus está em ação. Deus conhece o nosso interior mais do que nós mesmos e ninguém pode fugir dos seus olhos, visto que para ele até a noite é clara como um dia. Porém, o pecador é livre e precisa abrir o coração para o perdão de Deus.

Vemos a clareza das palavras de Jesus para que não restasse nenhuma dúvida. É Jesus que perdoa os pecados, mas na sua divina psicologia Ele quis perdoar através dos seus Apóstolos, os bispos e os padres devidamente ordenados.

Não existe salvação sem arrependimento e fé em Jesus Salvador. E quem se arrepende de verdade confessa os seus pecados, da mesma forma como o corpo lança para fora aquilo que lhe causa dor e mal-estar interior.

No ato de confessar o pecador demonstra arrependimento, fé, humildade e desejo sincero de ser perdoado. Mas do que ter a intenção, a necessidade de confessar os pecados para o padre exercita a abertura e a humildade no coração do penitente. Isto por si só predispõe o pecador a querer realmente viver vida nova na Graça de Deus.

O pecado é podridão interior que apodrece tudo por dentro e gera a morte caso não seja jogado pra fora. O pecado aparta o homem de Deus, tira o fervor da alma através da tibieza, atrofia a espiritualidade, torna o homem um ser carnal, ignorante, orgulhoso e egoísta.

 

Mc 7,20 Jesus continuou a dizer: “É o que sai da pessoa que a torna impura. 21 Pois é de dentro do coração das pessoas que saem as más intenções, como a imoralidade, roubos, 22 crimes, adultérios, ambições sem limite, maldades, malícia, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23 Todas essas coisas más saem de dentro da pessoa, e são elas que a tornam impura.”

 

Um pecado predispõe para outro pecado como um vício conduz para outro vício e lixo gera lixo. Se o homem só pedisse perdão a Deus, pelo homem em si não existe garantia de que realmente jogou para fora todos os pecados. Porque existem pecados que se enraízam nas profundezas da alma e do inconsciente. Para o padre dar o perdão o penitente tem que confessar, tem que falar. Ao falar, ele joga a podridão para fora e vem a libertação.

Mesmo com a voz embargada, rodeando ou querendo culpar outros, ele acaba assumindo a culpa e jogando o pecado pra fora com lágrimas de penitencia. Livra-se dos pecados e daí vem a cura e a libertação interior. Por isso que a confissão é tão importante e por isso Jesus condicionou o seu perdão a ela.

Não pode ser uma confissão diretamente a Deus, debaixo de um pé de cajueiro, como se diz por aí. É confissão para o sacerdote de Jesus, para um pobre pecador como ele, mas que ali está na pessoa de Cristo, como seu vigário, como seu representante, pronto para dar o perdão, desde que haja arrependimento. Mas não só arrependimento, desde que haja confissão.

Jesus sabe o que faz. Ao condicionar o perdão dos pecados à confissão, ele tinha em vista o verdadeiro arrependimento e a libertação interior do pecador. No sacramento da penitência e da reconciliação vemos não só a misericórdia, mas também a psicologia de Jesus em ação.    

 

1Jo 1,8 Se dizemos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos, e a Verdade não está em nós. 9 Se confessamos os nossos pecados, Deus, que é fiel e justo, perdoará nossos pecados e nos purificará de toda injustiça. 10 Se dizemos que nunca pecamos, estaremos afirmando que Deus é mentiroso, e a sua palavra não estará em nós.

 

MOPD Primeira Carta de São João 1,8-10