Recados

2 - Ex opere operato

 

Estamos meditando sobre a graça do perdão de Deus para melhor compreendermos e vivenciarmos durante esta semana o Sacramento da Confissão.

Ressuscitado dentre os mortos, antes de ser levado para o céu, Jesus Cristo apareceu várias vezes aos seus discípulos para confirmá-los na fé e firmar a sua Igreja para que anunciasse a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém (Lc 24,47).

Vemos a centralidade da conversão e do perdão dos pecados na missão que Jesus Ressuscitado confiou à sua Igreja. Da mesma forma como instituiu o Sacramento da Eucaristia antes de ser crucificado, Jesus Ressuscitado instituiu o Sacramento da Confissão para que os ministros ordenados da sua Igreja dessem o perdão em seu nome a todos aqueles que se arrependessem e confessassem os pecados.

 

Jo 20,21 Jesus disse de novo para eles: “A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” 22 Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: “Recebam o Espírito Santo. 23 Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados.”

 

A Graça é o amor de Deus sempre insistindo na salvação do homem e criando mais uma maneira para socorrê-lo e lhe dar a vida. O Sacramento da Confissão é mais uma Providência de Deus que não se cansa de amar e por amor, oferece mais uma vez o perdão, a cura e a libertação de forma certa, gratuita e eficaz.

Como diz Santo Tomás de Aquino, no Sacramento da Confissão a Graça de Deus age “ex opere operato”, ou seja, “pela obra operada”, “em virtude da obra salvífica de Cristo, realizada uma vez por todas”. “O sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas pelo poder de Deus”.

Assim o confessionário é uma verdadeira embaixada da salvação na terra. Jesus disse aos seus Apóstolos: “Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados!” (Jo 20,23) O poder de perdoar os pecados é de Jesus mesmo, não dos seus sacerdotes. Estes são embaixadores de Cristo, perdoam em nome dele e na autoridade dele, e não no seu próprio nome ou autoridade. Porém, o melhor acontece. Os pecados são realmente perdoados e o penitente é salvo pelo poder e pela misericórdia de Deus através do sacerdote, o embaixador de Jesus Misericordioso e Ministro da Reconciliação da Igreja.

Como ensina a Igreja: “Desde que um sacramento é celebrado conforme a intenção da Igreja, o poder de Cristo e do seu Espírito age nele e por ele, independentemente da santidade pessoal do ministro e segundo as disposições interiores dos fiéis que os recebem” (CIC 1128).

No Sacramento da Confissão vemos a gratuidade e a eficácia da Graça da Salvação cooperando com a natureza humana de um modo extraordinário. O homem deve fazer a sua parte, se converter, crer no Evangelho e lutar contra o pecado com todas as suas forças como se tudo só dependesse dele. Porém, o Bom Deus sabe que não podemos vencer a escravidão e a culpa do pecado sozinhos, vem ao nosso encontro com a Graça do Perdão e faz a sua obra em nós de forma eficaz como se tudo também só dependesse dele.

 

MOPD João 20,21-23