Recados

6 - O Amor quer ser amado

Quem conhece e vivencia o amor de Deus, também ama a Deus. E Deus quer ser amado! Meditemos sobre o Divino Amor com Santo Afonso Maria de Ligório:

 

Deus é a plenitude de todo o bem, de toda a perfeição. Deus é infinito, Deus é eterno, Deus é incomensurável, Deus é imutável. Deus é poderoso, Deus é sábio, Deus é prudente. Deus é justo. Deus é compassivo, Deus é santo, Deus é belo. Deus é magnificente, Deus é liberal, Deus é rico, Deus é tudo, e é por isso que merece amor, e grande amor! Deus é infinito; a todos dá, de ninguém recebe. Deus é eterno; existiu sempre e sempre existirá. Nós, sim, contamos os anos e os dias da nossa existência, Deus porém, não conhece princípio, nem terá jamais fim... Deus é tudo, e em confronto com Deus todas as criaturas, até as mais sublimes, as mais elevadas, as mais admiráveis, sim, todas juntas, não são nada, simplesmente nada: “O meu ser é como nada diante de ti” (Sl 38,6). Razão por que Ele merece ser amado, e ser amado dum grande amor.

Oh! Como os Santos o amavam! São Francisco de Sales, por sua vez, dizia: “Soubesse eu que no meu coração se achasse ainda uma fibrazinha que não estivesse impregnada inteiramente de santo amor para com Deus, e eu a arrancaria sem demora, atirando-a para bem longe de mim”. Os Santos O amavam a tal ponto, porque O conheciam melhor do que nós. Procuremos, pois, conhecê-lo melhor.

Justamente por nos amar ardentemente Deus deseja ardentemente que nós também O amemos. Razão por que não somente Ele nos excitou a que O amemos, pelos Seus repetidos convites na Escritura Sagrada e por tantos benefícios dispensados tanto em comum a todos os homens como em particular a cada um de nós; mas, além disso, quis nos constranger a amá-lo por um preceito expresso. Pois que ameaça cada um de nós com o inferno, se não O amarmos e promete aos que O amam, o paraíso. “Deus quer que todos se salvem e que ninguém se perca” e ainda: “Deus espera com paciência por amor de vós, não querendo que ninguém pereça, mas que todos se convertam à penitência”, assim nos ensinam com as palavras mais inequívocas os Príncipes dos Apóstolos (1Tm 2,4; 2Pd 3,9).

Não padece, pois, a dúvida: Deus nos ama, e nos ama ardentemente, e justamente por nos amar ardentemente, quer que O amemos, também nós de todo o coração. Razão por que Ele nos manda a cada um em particular: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração”, acrescentando, notai bem: “Estas palavras que eu hoje te íntimo, estarão gravadas no teu coração, e tu as ensinarás a teus filhos e as meditarás sentado em tua casa e andando pelo caminho e estando no leito e ao levantar-te; e as atarás à tua mão como um sinal e elas estarão como um frontal diante dos teus olhos e as escreverás sobre o limiar e sobre as portas da tua casa” (Dt 6,5-9).

A alma que ama verdadeiramente a Deus, diz São Bernardo, não pode querer outra coisa fora do que Deus quer.

 

Meios para se adquirir o Divino Amor

 

- Desapego das Criaturas

 

- Meditação da Paixão de Jesus Cristo

 

- Conformidade com a Vontade de Deus

- A Meditação

 

- A Oração

 

Sinais infalíveis para averiguarmos, se possuímos o divino amor

 

O amor divino é, na Escritura Sagrada, comparado com o fogo. Ora, possui o fogo duas qualidades: primeiro, resiste a tudo o que se lhe oponha, a ventania e viração; até mesmo, em vez de se apagar, tira delas maior força, e arde mais. Em seguida, é operoso: havendo fogo, há operosidade, pois, o fogo quer consumir, é sempre ativo. Eis aí, pois, duas caraterísticas inequívocas para nos certificarmos do amor de Deus em nosso coração: paciência e trabalho.

Trabalhamos sempre por nosso Deus? Guia-nos, ao menos, a boa intenção de em tudo cumprirmos o Seu agrado? Suportamos, de boa mente, por amor dEle, toda adversidade, pobreza, aflições, acabrunhamentos, doenças e coisa que o valha? Bem longe de nós apartar dEle, prende-nos tudo isso a Ele mais intimamente? Se é assim, então possuímos o amor de Deus; o nosso amor é um fogo operoso que oferece resistência às contrariedades; se é, porém, o contrário, então o nosso amor para com Deus não é verdadeiro, é amor falso, é amor, só de palavra, não é amor sincero. Contra esse amor insincero adverte-nos São João em sua primeira Epístola, dizendo: “Meus queridos filhinhos, não amemos só em palavras e com a língua, mas por obra e em verdade.” (3,18)

Se não for operoso o amor, diz São Gregório, não é amor. E Jesus Cristo assevera: “O que tem os meus mandamentos e os observa, esse é o que me ama.” (Jo 14,21)

 

MOPD Deuteronômio 6,4-8

 

Oração de São Boaventura

para adquirir o Divino Amor

 

Ó dulcíssimo Jesus, feri o meu coração com a doce flecha do Vosso amor, para que eu sempre enlanguesça e me consuma de amor para convosco e de desejo por Vós; fazei com que eu arda em veementes desejos de deixar esta vida a fim de me unir inteiramente a Vós na eterna bem-aventurança. Tornai a minha alma constantemente faminta de Vós que sois o Pão dos anjos, Jesus na Santíssima Eucaristia. Oxalá tivesse ela sempre sede de Vós, ó Fonte de vida e de luz! Tenda para Vós o seu desejo, procure a Vós, não fale senão a Vós e de Vós. Encontre tão só a Vós e sempre dirija tudo ao Vosso louvor e à Vossa glória. Sede Vós, ó Redentor, minha única esperança, Vós minha riqueza, minha consolação, minha paz, meu refúgio, minha sabedoria meu quinhão, meu tesouro, ao qual fiquem para todo o sempre apegados o meu coração e a minha alma.

 

Oração à Santíssima Virgem

Maria para obter o amor para

com Jesus e para com Ela

 

Ó Maria, vós desejais com tanto ardor ver amado o vosso diletíssimo Filho Jesus. Se é que Vós me amais, eis a graça que por vosso intermédio peço e que necessariamente deveis alcançar para mim: obtende-me um grande amor para com Jesus Cristo, fazei que não ame outra coisa senão a Ele. Vós alcançais dele tudo o que quereis, ouvi-me, pois, orai por mim e consolai-me. Ligai-me de tal maneira a Jesus, que jamais cesse de amá-lo. Obtende-me, outrossim, um grande amor para convosco que sois a criatura mais amante, mais amável e de Deus mais amada. Alimento grande confiança na vossa clemência e amo-vos, ó minha Rainha; amo-vos, porém, muito pouco; alcançai- me de Deus um amor bem maior; pois amar-vos é uma graça que Deus outorga tão somente aos que operam a sua salvação.