Recados

4 - Marcados com a cruz

 

Na visão profética de Ezequiel 9, Deus chamou o homem que estava vestido de linho e com o estojo de escrivão na cintura e disse: “Percorra a cidade de Jerusalém e marque com uma cruz a testa dos indivíduos que estiverem se lamentando e gemendo por causa das abominações que se fazem no meio dela”. E disse para os outros: “Percorram a cidade atrás dele, para matar sem dó nem piedade velhos, moços, moças, crianças e mulheres. Matem, acabem com eles. Só não matem os indivíduos marcados com a cruz. Comecem pelo meu Templo”.

Enquanto eles estavam matando, Ezequiel ficou sozinho. Então caiu com o rosto por terra, clamando: “Ah! Senhor Javé, vais destruir o resto de Israel, derramando teu furor sobre Jerusalém?” Ele me respondeu: “É grande demais a injustiça da casa de Israel e de Judá! O país está cheio de violência e a cidade cheia de injustiça... Por isso, não terei dó nem piedade, mas sobre eles farei cair as consequências do seu próprio comportamento”. Nessa hora, o homem vestido de linho e com o estojo de escrivão na cintura tomou a palavra e disse: “Acabei de fazer o que mandaste”.

A linguagem é clara, a profecia é direta. O sinal da cruz é sinal de salvação e consagração a Deus. Cada um faça a sua parte, acolha Jesus Redentor e procure viver de acordo com o seu Evangelho. A justiça de Deus é misericordiosa, mas é justiça!

 

Br 4,28 Como por livre vontade vos desviastes de Deus, agora, voltando, buscai-o com zelo dez vezes maior; 29 aquele que trouxe sofrimento para vós, para vós trará, com a vossa salvação, eterna alegria.

 

Trabalhando pela nossa salvação com temor e tremor, é Deus mesmo que desperta em nós a vontade e a ação, conforme a sua benevolência (Fl 2,12-13), para atingirmos a estatura de Cristo, o homem perfeito, e sermos plenamente humanos, com aquela bondade original com a qual Ele nos criou.

A Graça de Deus nos consagra, visto que já não nos pertencemos e nem pertencemos ao mundo. Pertencemos ao Senhor Jesus. Ele pagou um alto preço pelo nosso resgate. De igual forma, uma vez de Jesus, também deixamos de ser do mundo e formamos o seu corpo místico, isto é a Igreja.

O santo é um consagrado de Deus marcado com a Cruz de Cristo. Está no mundo, mas não é do mundo (Jo 17,14). Uma vez no mundo, em vez de viver como porco na lama deve buscar as coisas do alto, ser sal da terra e luz do mundo, ser fermento na massa para que todas as realidades terrestres e sociais se abram cada vez mais para a Graça de Deus e o Reino de Cristo se expanda sobre a face da terra.

Ser santo é ser separado do mundo e consagrado a Deus. Tudo isso começa pela conversão que deixa as obras mortas do mundo para a vida nova em Cristo Jesus.

 

1Jo 2,15 Não amem o mundo e nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. 16 Pois tudo o que há no mundo - os apetites baixos, a concupiscência dos olhos insaciáveis, a arrogância do dinheiro - são coisas que não vêm do Pai, mas do mundo. 17 E o mundo passa com seus desejos insaciáveis. Mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre.

 

Mundo significa toda realidade terrestre e espiritual que se fecha para Deus e por isso mesmo fica cheio de trevas, lama, baixaria, imoralidade, corrupção, violência, maldade e morte. Neste sentido o príncipe deste mundo é Satanás, porque é ele quem governa e articula os seus obreiros da maldade a irem criando, multiplicando e espalhando as imundícies. Então, se o indivíduo é carnal e também se fecha para Deus, ele se torna um mundano que vai viver do mundo e para o mundo.

Aquele que foi justificado por Cristo Jesus, foi marcado com a Cruz. Então deve fazer por viver vida nova, se não, facilmente cairá novamente nas trevas do mundo e na sepultura da morte. Por isso, além de ser lavado no Sangue do Cordeiro, precisamos buscar a santidade, separando-nos dessas realidades mundanas e consagrando-nos para Deus. Neste sentido, poderemos estar no mundo, pois as realidades mundanas estão em todos lugares, mas sem ser do mundo, como nos ensina o nosso Mestre e Senhor.

Seja na sociedade civil, seja dentro da própria Igreja, o cristão deve vigiar para não ser mundano, porque as influências negativas do mundo estão presentes em todos os lugares, e não poucas vezes também conseguem entrar na própria Igreja.

Na visão profética de Ezequiel Deus mandou fazer a matança simbólica dos mundanos começando pelo seu Templo, pela sua Igreja. “Matem, acabem com eles. Só não matem os indivíduos marcados com a cruz. Comecem pelo meu Templo” (Ez 9,6). Na Última Ceia, apesar de ter sido acompanhado diretamente pelo Senhor Jesus, lá estava Judas Iscariotes, todo mundano e cheio de ignorância, falsidade e ambição. Ele se deixou contaminar pelo mundo. Satanás se apoderou do seu coração. Foi ele quem traiu Jesus. Assim, não basta “estar na Igreja”. Temo que ser santos, estar na Igreja sem ser do mundo. Com um pé na barca da Igreja, outro na barca do mundo, acaba afundando.

A Graça de Deus nos santifica, consagra, separa do mundo e nos coloca na Igreja. A Igreja é a comunidade dos discípulos de Jesus aonde um deve ajudar o outro na caminhada, rezando, intercedendo, ensinando, festejando os passos de santidade e incentivando com palavras e bons exemplos. Se no mundo somos incentivados para o pecado e para a baixaria, na Igreja somos influenciados para viver na graça, no amor, na verdadeira paz e na verdadeira alegria. Por isso é tão importante ser membro da Igreja de Jesus.

No mundo correm as energias negativas que cegam, desviam e aprisionam. Na Igreja existe o amor, a fraternidade e o clima de oração que favorecem a ação de Deus na vida de cada um. E se o mundo às vezes entra e contamina a Igreja, nunca podemos esquecer que é para acontecer justamente o contrário: a Igreja é que deve sair pelo mundo afora e se colocar a serviço da humanidade, fermentando toda sociedade com os valores do evangelho, para que o Reino de Deus se expanda por toda terra. Então acontecerão novos céus e nova terra, e todos serão salvos para sempre.

Estamos no mundo, mas não somos do mundo, embora o mundo esteja sempre operando para atrair aqueles que são de Deus. Por isso é importante dia após dia renovar o ato de consagração e pertença a Deus. Inclusive vigiando e renunciando todos ataques mundanos, mesmo que estes venham de pessoas que amamos ou que nos amam. Importante se manter consagrado a Deus inclusive para trazer estas pessoas que amamos para ele, e não o contrário.

Quando um discípulo de Jesus começa a colocar Deus de lado para agradar alguém que ama (esposo, namorado, amigo, pai, mãe...), em vez de ajudar esta pessoa, estará prejudicando, porque com o tempo os dois vão chegar ao fundo poço, ao chiqueiro de porcos, ao inferno.

E que haja festa entre os cristãos, para um ajudar o outro a perseverar no seguimento de Jesus, sem necessidade das festas e idolatrias do mundo!

 

MOPD Ezequiel 9,1-11