Recados

1 - A obra de Deus não fica pela metade


 

A salvação vai além da conversão e da justificação. Ela comporta a santificação e a renovação do homem interior.

A vida que nasce no batismo precisa crescer e se desenvolver até atingir a estatura de Cristo Jesus, o homem perfeito. A obra de Deus não pode ficar pela metade. Aquele que começou a viver vida nova deve crescer e frutificar. O que foi resgatado do chiqueiro do mundo é chamado a viver com dignidade, a viver a vida verdadeira de um filho de Deus.

Santidade é viver com dignidade a vida verdadeira de filho e filha de Deus. Deus é santo como Deus e, seguindo o seu exemplo, devemos ser santos como homens. Santificação não se contrapõe com a humanização pois é quanto mais humanos formos que mais santos seremos.

Deus nos criou muito bons, com selo de qualidade. Foi o pecado que feriu a nossa natureza e atrapalhou o projeto de Deus. Santidade é viver a vida assim como éramos antes do pecado original.

A parábola do filho pródigo (Lc 15,11ss) é um ótimo exemplo sobre como viver em santidade.

Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: “Pai, me dá a parte da herança que me cabe”. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo caiu em tentação, juntou o que era seu, e desabou pelo mundo afora. Aí esbanjou tudo numa vida desenfreada e mundana.

Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome na região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para a roça, cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a lavagem que os porcos comiam, mas nem isso lhe davam. Enquanto tinha dinheiro, tinha muitos “amigos”. Quando ficou sem nada, vivendo como porco entre porcos, todos fugiram e o abandonaram.

No meio dos porcos, no fundo do poço, no chiqueiro do mundo aonde o pecado lhe colocou, caindo em si, disse: “Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome... Vou me levantar, e vou encontrar meu pai, e dizer a ele: - Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço que me chamem teu filho. Trata-me como um dos teus empregados”. Então se levantou, e foi ao encontro do pai.

A sagrada recordação do amor do Pai lhe motivou a voltar para casa. Acreditou no amor de Deus, arrependeu-se dos pecados, deu passos de conversão e voltou para casa. Quando ainda estava longe, o pai o avistou, e teve compaixão. Saiu correndo, o abraçou, e o cobriu de beijos. Então o filho disse: “Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço que me chamem teu filho”. Mas o pai o perdoou e justificou, concedeu-lhe o favor da sua graça, mesmo que ele não merecesse.

Até aqui vemos a graça da conversão e da justificação perdoando os pecados. Tudo isso porque o filho pródigo acreditou no amor de Deus, se arrependeu e voltou para casa. Ele foi salvo pela graça de Deus mediante a fé, não pelos seus méritos, porque mérito nenhum ele tinha, era um pobre miserável, um pobre pecador que quebrou a cara e esbanjou tudo no meio do mundo. Deus lhe perdoou de graça, simplesmente porque ele teve fé e se arrependeu. 

Porém, aquele que começou a viver vida nova não podia ficar com o semblante do homem velho, perdido e fedendo a merda de porco. Precisava viver com dignidade a vida verdadeira de filho amado de Deus. Resgatado do mundo, não podia mais viver como se ainda estivesse no chiqueiro do mundo, vivendo desgraçadamente como porco entre porcos.

Por isso, logo após abraçá-lo e perdoá-lo, o Pai Misericordioso disse aos empregados: “Depressa, tragam a melhor túnica para vestir meu filho. E coloquem um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Peguem o novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”. E começaram a festa.

Santidade não tem nada a ver com sujeira, catinga e tristeza. Santidade é viver com dignidade no amor de Deus e dos irmãos, lavado, anel no dedo, sandália nos pés, roupa nova e perfumado. O filho amado de Deus que estava perdido e foi encontrado, que estava morto e voltou a viver, não pode viver como porco entre porcos. Deve viver por dentro e por fora como filho amado de Deus, espalhando o bom perfume de Cristo.

 

2Cor 2,14 Graças sejam dadas a Deus, que nos faz participar do seu triunfo em Cristo e que, através de nós, espalha o perfume do seu conhecimento no mundo inteiro. 15 De fato, diante de Deus nós somos o bom perfume de Cristo entre aqueles que se salvam e entre aqueles que se perdem: 16 para uns, perfume de morte para a morte; para outros, perfume de vida para a vida.

 

MOPD Lucas 15,11-32