Frutos do Espírito Santo: a Bondade

A Bondade
Fruto do Espírito Santo

“Outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Por isso, comportem-se como filhos da luz. O fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade” (Ef 5, 8-9).

 

Deus é a própria bondade. E toda a criação reflete essa qualidade d’Ele. Não apenas o homem, mas todo o universo reflete essa bondade originária. “Originada da bondade divina, a criação participa desta bondade: “E Deus viu que isto era bom... muito bom”(Gn 1, 4.10.12.18.21.31)” (CIC 299).

A partir daí podemos afirmar que por natureza, o ser humano é bom. Ele é obra da criação divina e como tal participante da bondade do Criador. No entanto, enquanto esta bondade no Senhor é completa, perfeita, no ser humano ela está num processo de realização. A bondade “é criada “em estado de caminhada” (“in statu viae”) para uma perfeição última a ser atingida, para a qual Deus a destinou” (CIC 302). Essa bondade de Deus em nós nos faz desejar ser bons como Ele. E como não conseguimos isso sozinhos, o Espírito Santo vem em nosso auxílio e gera em nós esse fruto.

Podemos encontrar inúmeros significados para a palavra ‘bom’. Dentre eles, porém, um melhor se adéqua a nossa reflexão. Assim, bom é o “que tem todas as qualidades adequadas à sua natureza ou função” (Dicionário Aurélio). Em outras palavras, quanto mais nos tornamos aquilo que Deus deseja que sejamos mais nos tornamos bondosos.  Quanto mais deixamos Deus ser em nós, mais ainda refletiremos em nosso ser a Sua bondade infinita. Surge aí a necessidade de meditarmos na bondade do Senhor e esperar que ela adentre em nosso interior.

A bondade de Deus o leva a criar o universo e a nós. Essa mesma bondade também cuida da própria criação e envia o Salvador para libertá-la do lamaçal do pecado. “A bondade é, portanto, a prerrogativa daquele que se compraz em fazer por primeiro o bem, em suscitar sempre e somente o bem ao seu redor” (Carlo Maria Martini). Assim, ser bondoso implica se lançar e agir, procurando fazer o bem, pois é assim que o próprio Deus vem fazendo conosco desde a criação.

Ser bondoso exige atitudes concretas. Não apenas bons sentimentos. E exige ainda que o sejamos com todas as pessoas da mesma maneira que o Senhor. Não podemos privar ninguém de receber a nossa bondade, ou melhor, a bondade de Deus, da qual somos participantes. As outras pessoas, amigas ou inimigas, são tão indignas do Senhor quanto nós o somos. E mesmo assim Deus insiste em agir bondosamente conosco. Então, por que não o faríamos com os irmãos?

É preciso primeiro reconhecer a bondade de Deus para poder agir com bondade. Reconheçamos que “sem Deus não podemos ter sequer um bom pensamento” quanto mais termos ações eficazes. Esse reconhecimento nos leva a suplicar mais a graça do Espírito Santo e a nos lançarmos por inteiro na direção do outro. Leva-nos a nos desprendermos e sairmos ao encontro do outro, auxiliando-o sem buscar recompensas com isso.

Gratuidade é pressuposto da própria bondade. Todo o valor das nossas ações se perde quando colocamos um preço a ser pago por elas. A bondade de Deus para conosco além de ser infinita é totalmente gratuita. Ele nada exige de nós para ser bom conosco. E nossas ações devem glorificar ao Senhor, refletindo adequadamente a imagem do Bom Deus para toda a humanidade. Sua bondade deve ser proclamada através de nossas ações. Que o universo inteiro proclame: “Agradeçam a Javé, porque ele é bom, porque o seu amor é para sempre” (Sl 106, 1).

A vida de Jesus é permeada de atos de bondade. Curas, libertações, acolhidas, transformações realizadas na vida de muitos que o seguiam e, principalmente, naqueles que escolheu para glorificar o Pai por meio d’Ele. E, a vida de todos aqueles que caminharam com Ele até os dias atuais não têm deixado de proclamar a suprema bondade do Pai. Assim, abramos o coração e meditemos na bondade do Senhor e rezemos suplicando ao Espírito Santo que gere em nós esse fruto divino a fim de O glorificarmos e atingirmos um dia o estado de perfeição a que Ele nos convoca.

Edilma Saboia

Discípula Consagrada de Aliança do DJC

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