Frutos do Espírito Santo: A Paz

Saiba como ter paz interior

“Assim diz Javé, o redentor de você, o Santo de Israel: Eu sou Javé, o seu Deus, que ensino você para o seu bem e o guio pelo caminho que você deve seguir. Se você tivesse obedecido aos meus mandamentos, sua paz seria como rio e sua justiça como ondas do mar.” 

(Is 48, 18-19) 

Quando pensamos na palavra paz lembramos logo daquilo que nos parece ser o seu oposto: a guerra. Mas, “a paz não é somente ausência de guerra e não se limita a garantir o equilíbrio das forças adversas” (CIC, 2304). Ela vai além disso, remete-se a “todo e qualquer bem, humano e divino” (Carlo Maria Martini). É por isso que, em Isaías, vemos “o fruto da justiça será a paz. De fato, o trabalho da justiça resultará em tranquilidade e segurança permanentes”. A paz é assegurada à medida que garantimos tudo o que é necessário a uma vida plena, tanto zelando pela dimensão humana de cada pessoa quanto por sua dimensão espiritual. Em várias curas que o próprio Jesus realiza, Ele diz: vai em paz. E isso ressalta para nós que aquela pessoa já foi agraciada com o bem de que necessitava e depois já poderia gozar a paz. Foi-lhe restituído um bem essencial.

Na realidade moderna em que vivemos as pessoas estão sempre a buscar a paz. Passeatas são feitas em nome da paz, discursos e mais discursos realizados para criar uma cultura de paz, pessoas se desesperam, angustiam-se, entregam-se à depressão porque estão inquietas consigo mesmas, já não conseguem lidar com os próprios dilemas interiores e os conflitos que vem do exterior as sufocam e as afastam delas mesmas.

Alguns podem até colocar a necessidade de se retirar os conflitos para alcançar o Shalom (paz, em hebraico). Entretanto, não basta a ausência de conflitos internos ou externos para que se possa viver a paz, o Shalom do Pai. Como todos os frutos do Espírito Santo, a paz é gerada dentro de uma caminhada discipular, “é a riqueza que o Espírito derrama sobre os que a acolhem” (Carlo Maria Martini).

A paz nos remete a harmonia com Deus, conosco e com os nossos semelhantes. Primeiramente, o homem precisa estar em harmonia, em comunhão com Deus do qual lhe vem todos os bens. É preciso estar em conformidade com a vontade do Senhor, partilhar de Seu projeto salvífico. “Se você tivesse obedecido aos meus mandamentos, sua paz seria como rio” (Is 48, 18). As inquietações, as angústias chegam até nós porque nos distanciamos do Sumo Bem, não obedecemos aos mandamentos do Senhor, os quais são a nossa vida.

Distantes do Senhor não conseguimos reconhecer quem somos e nos perdemos no meio das coisas que o mundo nos disponibiliza. Não conseguimos mais olhar para Deus, envergonhamo-nos ou, simplesmente, o ignoramos. Não nos permitimos ser amados por Ele e, assim, nossa paz interior dar lugar à inquietude, pois “nosso coração está inquieto enquanto não repousa em Ti” (Santo Agostinho).

Sem a graça do Senhor já não conseguimos lidar com os nossos conflitos interiores, amenizá-los e, daí, acabamos por trazer ao exterior aquilo que deveria ser trabalhado interiormente. Não podendo lidar consigo mesmo, o ser humano já não consegue encontrar no outro um semelhante. O outro é tão estranho para ele quanto este o é para si mesmo. E aqui está aberto o espaço para a inimizade, o ódio, a ira e todo tipo de discórdia. O homem já não consegue amar os seus irmãos, a fraternidade já não existe, não se respeita a dignidade da pessoa humana, perde-se a tranqüilidade. A paz social deixa de existir.

Isto nos lembra o homem que vivia no paraíso e convivia face a face com o Bom Deus, deliciando-se com sua doce companhia e tendo em mãos todos os bens de que necessitava para viver harmoniosamente. Vivia em paz com Deus, consigo mesmo, com a natureza e com o seu semelhante. Porém, o pecado da desobediência o afastou desse estado de graça. E ele passou a sofrer as angústias e inquietações resultantes de seu afastamento daquele que era o seu Tudo, o Sumo Bem. E longe dele já não tem todas as condições que precisa para viver plenamente: perdeu a sua paz.

Mas Deus é amor misericordioso e infinito, quer restaurar nossas vidas e nos devolver a paz. Eis que entrega seu Filho para nos resgatar da miséria em que nos encontrávamos.  “Porque nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado: sobre o seu ombro está o manto real, e ele se chama ‘Conselheiro Maravilhoso’, ‘Deus Forte’, ‘Pai para sempre’, ‘Príncipe da Paz’ (Is 9, 5). Jesus “é nossa paz” (Ef 2, 14). Ao nos reconciliar com Deus, ele garante para nós a Sua Paz que vai além da ausência dos conflitos, restabelece a nossa relação com o Pai. “A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá. Não fiquem perturbados e não tenham medo” (Jo 14, 27). “Agora, porém, com a morte que Cristo sofreu em seu corpo mortal, Deus reconciliou vocês, para torná-los santos, sem mancha e sem reprovação diante dele” (Cl 1, 22).

Deus restitui a nossa paz e nos convida a sermos promotores da paz. À semelhança de seu próprio filho que se doou por nós. “Además, irmãos, fiquem alegres. Procurem a perfeição e animem-se. Tenham os mesmos sentimentos, vivam na paz e o Deus do amor e da paz estará com vocês” (2 Cor 13, 11).

 

Edillma Saboia

Discípula Comprometida de Aliança do DJC

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