Frutos do Espírito Santo: a Alegria

 “Não se deixe dominar pela tristeza, nem se aflija com preocupações. A alegria do coração é vida para o homem, e a satisfação lhe prolonga a vida.” (Eclo 30, 21-22)

 Alegria do Espírito Santo, alegria verdadeira, que vem de Deus

Hoje na vida moderna, instantânea e superficial em que vivemos as pessoas estão a buscar a alegria. E isso não é algo contrário ao projeto do Bom Deus, o problema está no fato de que as pessoas confundem a verdadeira alegria com a euforia, procurando nos locais errados aquilo que somente encontrarão em seu interior, pois é nele que o Senhor habita. “Alma buscar-te-ás em Mim, a Mim buscar-me-ás em ti” (São João da Cruz).

Por isso, precisamos primeiro diferenciar a alegria da euforia. A euforia é uma alegria intensa e passageira que depende de um ou vários fatores exteriores para acontecer, vem de fora para dentro e, por vir do exterior para o interior, gera dependência e, por conseqüência, doenças, vícios. Já a alegria, independe dos fatores exteriores, ela brota de dentro porque é fruto do Espírito que habita o nosso coração. Ela nasce da nossa intimidade com o Senhor. Não precisamos de motivos externos para sermos alegres, para além das circunstâncias está a nossa alegria.

Somos alegres no Senhor. Nossa alegria não depende de fatores exteriores e nem sequer depende apenas de nós mesmos. E nesse sentido, ela é, como todos os frutos do Espírito, superior a qualquer manifestação emocional ou psicológica que possamos vivenciar. Ela não deriva do ser humano, mas vem diretamente do Espírito de Deus. E não está ligada unicamente aos benefícios que recebemos do Senhor (ou seja, não somos alegres porque recebemos determinada graça ou bênção do Senhor), mas somos alegres com a própria presença d’Ele. Em outras palavras, basta que estejamos com o Senhor para que encontremos a verdadeira alegria. Basta a presença do Senhor para encher o nosso coração da santa alegria. Pois, como já dizia um grande santo: “a busca pelo Senhor é a busca da alegria, o encontro com o Senhor é a própria alegria”.

No entanto, os frutos do Espírito são gerados dentro de uma caminhada discipular. Não é possível ser alegre ou ter no interior do coração qualquer fruto do Espírito sem antes abrir um espaço para se encontrar com o Senhor, para estar em Sua presença. É preciso buscar o Senhor e estar com Ele para que seja gerada em nosso interior a alegria que vem do alto. Assim, a nossa alegria provém do Senhor, mas depende da nossa disponibilidade em acolhê-la e cultivá-la a fim de que ela permaneça em nós. “O Senhor dá as suas graças a quem quer e também a quem melhor se dispõe” (Santa Teresa de Jesus).  O próprio Jesus ao orientar os discípulos para a tão árdua missão de evangelizar lembra que eles devem permanecer unidos a Ele no amor e finaliza dizendo: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e alegria de vocês seja completa.” (Jo 15, 11)

 “Não se deixe dominar pela tristeza, nem se aflija com preocupações” (Eclo 30, 21). Dificuldades, medos, angústias, dores, sofrimentos, problemas sempre encontraremos em nossa caminhada nesta terra de exílio. Entretanto, a nossa alegria não consiste em estar livre dessas coisas, mas em saber que em todas estas situações o Senhor está conosco e nos assegura: vocês “não perderão nem um só fio de cabelo” (Lc 21, 18). A confiança e a esperança que vem da certeza de que Deus nos ama e cuida de nós mantém em nosso coração a alegria mesmo em meio às tribulações, pois não é em nossas forças que esperamos, é no Senhor que esperamos. Há uma relação direta da alegria com o amor, somos alegres estando com Aquele que amamos e que sabemos que nos ama. E não precisamos buscá-lo fora de nós como o mundo nos incita a fazer ao nos apresentar os grandes momentos de euforia: festas, bebedeiras, drogas, sexo desregrado, etc.

A alegria que é fruto do Espírito Santo não se encontra no barulho, na agitação, nas inquietações, mas no silêncio do próprio coração. Ela supera qualquer conflito, tribulação, preocupações porque está acima de todas estas coisas. Sua existência depende exclusivamente do Espírito Santo que a gera no coração humano dentro da caminhada discipular como primícia, antecipação do céu. Essa alegria vinda do Espírito é apenas uma pequena amostra da alegria que viveremos para sempre na eternidade.

“Um exemplo muito palpável de quem superou a dor e o sofrimento e desfilou serenidade e alegria interior foi Maria, a mãe de Jesus. Ela teve seu coração transpassado várias vezes pela lança do sofrimento, mas não se deixou abater pela tristeza e a desesperança. Maria se manteve de pé, firme e confiante naquele que dá sentido aos nossos sofrimentos” (Marcelo Pereira).

Ser alegre não é viver de euforismos. Mas estar com Deus no silêncio, na calma, na quietude, alegrando-nos com a Presença do Amado e deixando que Ele vá nos moldando conforme sua vontade e completando cada dia mais a nossa alegria, pois a verdadeira alegria permanece mesmo depois que a agitação acaba.

“Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Deus não muda. A esperança tudo alcança. Quem tem Deus nada lhe falta. Só Deus basta” (Teresa de Jesus). Deixemos que o Senhor seja a alegria do nosso coração. Contagiemos o mundo com a verdadeira alegria. E em meio às lutas diárias tenhamos a convicção de que a alegria do Senhor será sempre a nossa força!

 

 

Edilma Saboia

Discípula Comprometida de Aliança do DJC


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