FIRMES EM CRISTO


Jesus crucificado, Páscoa.Amados irmãos, escolhidos de Deus para servi-lo dentro da experiência eclesial do DJC. Temos passado por um processo de seleção sobrenatural e percebemos que dentro deste processo diário nos é exigido uma transformação radical, em busca de vivenciarmos com autenticidade o chamado por Ele nos feito.

Mais do que nunca é preciso que abramos o nosso coração para a graça do Espírito Santo, e fortalecidos pelo seu amor misericordioso, travarmos uma verdadeira luta contra toda a força de morte que tenta obscurecer nossa fé, por termos decidido pertencer ao Reino de Deus.

Precisamos confiar e depositar nossa vida e caminhada nas mãos do Senhor. Não podemos nos contentar em permanecer em momentos de nossa vida: me converti, me comprometi e isto basta. “No caminho que o discípulo é chamado a percorrer, seguindo as pegadas de Cristo, a conversão está sempre sujeita à tentação”. Daí é necessário renovar constantemente o encontro com Jesus Cristo vivo e ressuscitado. “É vigiando que não se cai em tentação”.

Temos a pretensão de pensar que depois de convertidos a tentação não nos atinge mais: satanás ficou para trás... Não nos iludamos! Quanto mais crescemos espiritualmente, mais a tentação nos atormenta, mais sutil e enganadora, suja e covarde ela é... Nenhum de nós escapa da tentação. Ela sempre se apresenta de forma boa, formosa à vista, desejável. Pedro foi tentado, Paulo também. O próprio Jesus passou pela tentação. A derrota de fato, não está em sermos tentado, mas em cedermos a ela. Cristo nos ensinou e nos chama a sermos vitoriosos.

Quando estamos a serviço, a vigilância deve ser redobrada, pois temos que tomar muito cuidado e ficar atentos, especialmente aqueles que cantam, tocam, pregam e se utilizam de palco e microfone. Já estamos em um ambiente propício e nossa natureza nos leva a querer aparecer, ser reconhecido, aplaudido. Ou dominamos essa tendência natural ou nossa velha natureza nos domina.

Não podemos alimentar o nosso ego, ao contrário, precisamos destroná-lo, por que ele é ávido de aplausos, de sucesso. Não podemos confiar em nós mesmos. Precisamos nos mortificar para que morra em nós o que é velho e nasça pelo poder do Espírito Santo, uma pessoa nova: à imagem e semelhança de Deus.

Precisamos sim vigiar e orar incessantemente no Espírito, preparando-nos para vencer a tentação, pois o inimigo não vai querer nos perder. Ele não vai querer perder o terreno que havia usurpado: “Quando um espírito impuro sai de um homem, ele percorre regiões áridas em busca de descanso, mas não encontra. Então, diz consigo mesmo, vou retornar a morada onde saí. ( Mt 12, 43-44).

Até o final de nossa vida seremos um terreno disputado. Somos nós que daremos a vitória a Jesus ou ao demônio. Ou tornamo-nos tolos nas mãos do inimigo, ou daremos a vitória definitiva a Jesus que é o Senhor deste terreno que somos nós. “Ceder à concupiscência qualquer fraco faz... e está fazendo. Mas aqueles que são realmente homens e mulheres de Deus vencem a tentação pela vontade de dar ao Senhor a Vitória”.

Não podemos ser ingênuos. É preciso ser combatentes e frutificar unicamente as sementes de Jesus e fechar-nos para as sementes que o príncipe deste mundo lança sobre nós.

Faz-se assim necessário a nossa conversão diária. A busca do Deus vivo que habita dentro de nós. A busca do conhecimento experimental que acontece dia-a-dia na intimidade da Oração e da Meditação Orante da Palavra de Deus. Da vivência amorosa de nossa disciplina. “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do maligno. Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Tomai, também o capacete da Salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, com toda a Oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isto, vigiando com toda a perseverança e súplica” (Ef 6, 11-18).

É bom lembrarmos que a vida cristã, requer dureza, luta e garra para não trairmos a causa de Cristo e nem o expulsarmos de nossas vidas com injúrias, crucificando-o novamente. São muitos os que precisam de nós como instrumentos de Deus. São muitos os que estão à procura da verdade e da felicidade por caminhos errados, necessitando de nós como instrumentos de conversão. “Mas como eles vão ouvir, se não tem quem lhes pregue?” (Rm 10, 14). Como poderemos ser luz, como nos ordena Jesus, se não buscarmos, por nossa conversão diária, sair das trevas que nos aprisiona? Como ousamos dizer que somos discípulos de Jesus Cristo se não pararmos para ouvi-lo?

Não podemos nos contentar com nossa primeira conversão. Cristo espera de nós uma verdadeira e contínua conversão. Chegar ao meio do caminho é pouco demais. É preciso continuar a caminhada. É preciso fazer mais do que o possível, gastar mais do que nos foi dado para o trabalho, na alegria de saber que o próprio Cristo que nos pagará em sua volta. “Sou eu que te pagarei na minha volta, se gastardes alguma coisa a mais” (Lc 10, 35b).

Alertemo-nos! Não sejamos presas fáceis de satanás, e sim, livres e conscientes, abertos a obra da misericórdia de Deus. Também não podemos ficar nas alturas, alienados, com a espiritualidade desencarnada; ou ainda, vivendo de saudosismo espiritual, daquilo que já conquistamos. Temos de descer, enfrentar as dificuldades do momento presente e encontrar o Deus vivo na realidade de cada dia, em cada novo instante.

Continuamos em processo de estruturação. Precisamos nos alertar mais ainda para não sermos reprovados, por causa dos altares que nos são oferecidos por satanás. Nas tentações diárias, sejamos cristãos combatentes em busca da vitória para Cristo e com Cristo.

Neste sentido, nós discípulos de Jesus não podemos nos acomodar com aquilo que já aprendemos e conquistamos. Temos de caminhar decididamente, sempre cada vez mais no conhecimento do Senhor, para vivermos com fidelidade o compromisso assumido com Ele: Sermos e formar novos discípulos para Ele.

Estamos construindo nossa história. As respostas, Deus tem nos dado e nos dará à medida que abrirmos nossos corações, percebendo os sinais de amor que Ele nos fará entender, para cada novo instante.

Quem segue Jesus não caminha nas trevas, pois possui a Luz da vida. Neste sentido, não há o que temer e nem desanimar. Já fomos lavados no sangue do Redentor e a vitória já nos é garantida.

Caminhemos decididamente, buscando “ser mais” é colocar nosso coração a serviço de Deus e da missão. Frutifiquemos então em boas obras!!!!!

Leila Lemos
Assistente Geral das Vocações (AGV)

Imagem:
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