Resumo do livro A Eucaristia, nossa Santificação do Frei Raniero Cantalamessa, pregador do Papa. Entenda mais sobre o Sacramento da Comunhão.

"Isto é o meu Corpo entregue por vós"
Padre Marcos Oliveira fazendo a consagração do Corpo e Sangue de Cristo no Graça e Paz 2019.

A Eucaristia faz a Igreja mediante a consagração



No primeiro capítulo do livro “A Eucaristia, nossa santificação” Frei Raniero considerou o Santíssimo Sacramento na história da Salvação, na qual ele está presente, sucessivamente, como figura(Antigo Testamento), como acontecimento(Novo Testamento) e como sacramento(tempo este da Igreja que estamos vivendo).
Agora, mais do que dizer que a Eucaristia está no centro da Igreja, enfoca-se que a Eucaristia faz a Igreja!
Há dois sacramentos que constroem a Igreja: O Batismo e a Eucaristia.
Enquanto o Batismo constrói a Igreja em extensão, em número, a Eucaristia fá-la crescer com intensidade, qualitativamente, porque a transforma cada vez mais em profundidade à imagem da sua Cabeça, Cristo.

A Eucaristia dentro da Igreja é como o fermento na massa (Mt 13,33). De vários modos a Eucaristia faz a Igreja: mediante a consagração, comunhão, contemplação e mediante a imitação.

1. Ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o vosso culto autêntico(Rm 12,1).

São Paulo diz isso lembrando-se sem dúvida nenhuma daquelas palavras de Cristo na Última Ceia: “Tomai e comei: isto é o meu corpo entregue em sacrifício por vós”. São Paulo está querendo dizer: façam o mesmo que Jesus fez.

Jesus mesmo disse: “Fazei isto em memória de mim”. Jesus não dizia repetir só os seus gestos, mas fazer a substância que ele fez, oferecer também o nosso corpo como Ele ofereceu o dele.

Olhemos com olhos novos o momento da consagração eucarística, porque agora sabemos, como diz Santo Agostinho, que “é também o nosso mistério que se celebra no altar”.

2. “Tomai, todos, e comei...”

Como é que também devemos fazer “nossas” estas palavras?

Antes eu fechava os olhos, inclinava a cabeça, procurava isolar-me... Mas depois que compreendi que somos um só com Jesus Ressuscitado, já não fecho os olhos na hora da consagração. Olho para os irmãos e dirigindo-me a eles, digo como Jesus: Tomai, todos, e comei: isto é o meu corpo.

Santo Agostinho dizia também: “Toda a cidade redimida, ou seja, a assembléia comunitária dos santos é oferecida a Deus como sacrifício universal pela mediação do sumo sacerdote que na paixão Se ofereceu a Si mesmo por nós na forma de servo, para que fôssemos o corpo de uma Cabeça tão excelsa. A Igreja celebra este mistério no sacramento do altar bem conhecido dos fiéis; nele é mostrado que, naquilo que se oferece, é ela mesma que se oferece”.

Há dois corpos de Cristo sobre o altar: está o seu corpo real (o corpo “nascido” de Maria Virgem) e está o seu corpo místico, que é a Igreja. Não há nenhuma confusão entre duas presenças que são bem diversas, mas também nenhuma divisão.

A Eucaristia faz a Igreja, fazendo da Igreja uma Eucaristia!

A santidade do cristão deve realizar-se segundo a “forma” da Eucaristia; deve ser uma santidade eucarística.


3. “Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue”

Se na eucaristia estamos também nós, e nos dirigimos aos irmãos, dizendo: “Isto é o meu corpo, tomai todos e comei. Isto é o meu sangue, tomai, todos, e bebei”, temos que saber o que é corpo e sangue para saber o que oferecemos.

Na Bíblia corpo não indica um componente do homem, mas o homem todo enquanto vida vivida num corpo.

Sangue é a sede da vida, o derramamento dele significa morte.

A Eucaristia é o mistério do corpo e do sangue do Senhor, ou seja, da vida e da morte do Senhor!
O que oferecemos juntamente com Jesus, na Missa? Oferecemos também nós o que Jesus ofereceu: a vida e a morte. Com a palavra corpo doamos tudo o que constitui concretamente a vida que trazemos neste corpo: tempo, saúde, energias, capacidades, afeto, porventura um só sorriso.

Com a palavra sangue oferecemos a morte. Não necessariamente o martírio, mas tudo aquilo que desde agora, prepara e antecipa a morte: humilhações, insucessos, doenças que imobilizam, limitações devidas à idade, à saúde, tudo o que nos “mortifica”.

Logo que saímos da Missa, nos esforcemos por realizar o que dissemos. Se assim não for, tudo fica palavra vazia, mentira até.

Uma mãe de família celebra sua Missa com toda uma participação pessoal no momento da consagração. Depois vai pra para casa e começa o seu dia feito de mil pequenas coisas. A sua vida é literalmente fragmentada, fracionada como a hóstia consagrada; mas não é coisa pequena o que ela faz: é uma eucaristia juntamente com Jesus. Assim também com a freira, com os sacerdotes... Como Jesus permanece uno na fração do pão, assim uma vida gasta deste modo é unitária, não é dispersiva e aquilo que a torna unitária é o fato de ser eucaristia! Um mestre espiritual dizia: “De manhã, na Missa, eu sou sacerdote e Jesus é vítima; ao longo do dia, Jesus é sacerdote e eu vítima”.

Graças à Eucaristia já não há vidas inúteis!

4. “Vem para o Pai!”
O segredo está em oferecer-se completamente, não reservando nada para si. Tudo aquilo que alguém reserva para si perde-se, porque não se possui senão aquilo que se oferece.
“Senhor, tudo o que há, no Céu e na Terra, é vosso. Desejo consagrar-me a Vós, por uma oblação voluntária, e ser perpetuamente vosso. É, pois, na simplicidade do meu coração, que eu me ofereço a Vós neste dia, para ser eternamente vosso escravo, para Vos servir e para me imolar à vossa glória. Recebei este sacrifício, que Vos faço de mim, junto com o do vosso precioso Corpo, que vos ofereço, hoje, na presença dos anjos, que a ele assistem, invisilvemente, a fim de que seja para salvação minha e de todo o povo”. (Imitação de Cristo).
Como ter força para esta oferta total de si mesmo? A resposta é: o Espírito Santo! Jesus ofereceu-se a Si mesmo graças a um “Espírito eterno”(Hb 9,14). O Espírito Santo está na origem de cada movimento de doação de si mesmo.
Santo Inácio de antioquia, para convencer os cristãos de Roma a nada fazer para impedir o seu martírio, confia-lhes um segredo: “Há dentro de mim uma água viva que murmura e diz: Vem para o Pai”. É a voz inconfundível do Espírito de Jesus que, regressando ao Pai, agora pode dizer também ao seu discípulo: Vem, oferece-te comigo!

A Eucaristia, nossa santificação. Cantalamessa, Raniero, Paulus, São Paulo, pp. 21-36 Resumido por Pe. Marcos Oliveira 

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